PM não consegue retirar ocupantes de hotel abandonado no centro de Brasília

Brasília - Ocupado pelo Movimento Resistência Popular, o Hotel Torre Palace, passa por operação policial para desocupação. A PM do Distrito Federal diz que a ação é de ordem da Defesa Civil (Elza Fiuza/Agência Brasil)


Desde as 9h da manhã de hoje (1), a Polícia Militar (PM) do Distrito Federal negocia a desocupação do antigo Torre Palace Hotel, um prédio de 14 andares com 140 apartamentos no setor hoteleiro norte, área nobre da região central de Brasília, por integrantes do autodenominado Movimento de Resistência Popular, que reivindica políticas de moradias no DF.

Abandonado desde 2013, o edifício foi ocupado em outubro de 2015 por cerca de 150 pessoas do movimento, mas, antes, o prédio já vinha sendo invadido por usuários de drogas. A reintegração de posse foi autorizada pela Justiça em decisão de 2ª instância, no dia 24 de maio, e mobiliza 250 policiais militares e 110 servidores do governo do Distrito Federal, entre representantes da Defesa Civil, Secretaria de Habitação (Sedhab), Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedest) e Secretaria de Estado de Ordem Pública e Social (Seops).

A advogada do Movimento de Resistência Popular, Sandra Nascimento, participa das negociações e alega que a operação é ilegal, pois “Falta um mandado de reintegração de posse ou de desocupação. A decisão judicial não é uma ordem judicial. Ainda cabe recurso”.
Sandra argumenta que o GDF tem tratado o grupo de forma errada desde 2007 e que não oferece alternativas aos ocupantes do prédio. Antes, as mesmas famílias ocuparam o Clube Primavera, em Taguatinga, e o Hotel Saint Peter, também na área central da capital. “O problema aqui é social. Não são criminosos e a ocupação não é ilícita, porque o prédio está abandonado.”

O coordenador de Proteção Social Especial do governo do Distrito Federal, Jean Marcel, disse que se a reintegração for feita, os interessados serão acolhidos em albergues: “A assistência social oferta possibilidades de acolhimento nas oito unidades de acolhimento para adultos ou famílias”.

O clima é de muita tensão. Ao longo da tarde, os ocupantes lançaram bombas, pedras, vidro e telhas a cada tentativa de aproximação da polícia. Durante uma tentativa de bloquear as entradas do prédio com sacos de cimento, enquanto a negociação com um dos líderes do MRP, identificado apenas como “Zé”, ainda estava em andamento, os ocupantes do prédio reagiram e lançaram pedaços de madeira com fogo. Eles também ameaçam explodir botijões de gás caso a polícia avance.

É possível avistar gente circulando dentro do prédio, inclusive crianças. O edifício não tem janelas, que foram retiradas há muito tempo, e está em um estado de deterioração avançada. No início da manhã, às 8h, a Defesa Civil entrou no antigo hotel para fazer uma operação de desratização.

Durante o procedimento, os servidores verificaram que havia mais de 30 pessoas no edifício, de acordo com o capitão da Polícia Militar Michello Bueno. Logo em seguida, o prédio foi cercado pela PM e 20 pessoas saíram do edifício sem apresentar resistência. O grupo está fazendo uma manifestação próximo ao prédio, pedindo que a operação policial seja interrompida.

Não se sabe ao certo o número de pessoas que ainda está no interior do Torre Palace, mas, segundo Bueno, a expectativa da polícia é alcançar uma solução pacífica para o impasse. A negociação está sendo mediada pelo Batalhão de Operações Especiais.

“Estamos agindo para que a negociação flua. Eles pediram uma reunião com representantes do GDF e a expectativa é que, depois dessa reunião, todos desçam. A ideia é que saiam pacificamente.”, disse Bueno.

De acordo com o capitão, policiais militares já haviam subido no prédio em outras circunstâncias, como em situações em que suspeitos de crimes nas redondezas fugiram para lá e após o disparo de arma de fogo. Funcionários de hotéis próximos contam também que o tráfico e o uso de drogas no local era rotineiro.

Por medida de segurança, o Detran-DF fechou o Eixo Monumental, uma das principais avenidas da cidade. O trânsito próximo ao local está caótico, com quilômetros de lentidão.

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