Sinpol-DF denuncia baixas condições de trabalho de policiais civis


Em ofício enviado a representantes do Legislativo, o sindicato exige manutenção do efetivo, compra de equipamentos, entre outras medidas

BrasíliaOs policiais civis do Distrito Federal têm se queixado das baixas condições de trabalho com que são obrigados a lidar. Em ofício enviado a deputados distritais e federais e senadores, o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) demanda maior valorização da classe, que sofre com salários defasados, equipamentos em péssimas condições e pessoal abaixo do número necessário.

“Ao longo dos últimos anos, a Polícia Civil vem sofrendo um sucateamento material e de recursos humanos, os quais têm trazido consequências dramáticas para a população do DF e para as pessoas que diariamente circulam em nossas cidades”, diz o ofício.

Rodrigo Franco, presidente do Sinpol, aponta que até elementos essenciais para a atuação das forças de segurança estão em falta. “As armas têm apresentado falhas técnicas e aqueles coletes que ainda não passaram do prazo de validade estão prestes ao vencimento. Muitas vezes, os policiais precisam pagar coletes, uniformes e outros equipamentos do próprio bolso”, denuncia. Ele ainda revela que há falta de munição para os treinamentos e as viaturas em uso são inadequadas.

Segundo Gaúcho, como é conhecido, a falta de recurso afeta o trabalho e a saúde dos agentes em diversos níveis. “Temos problemas estruturais em nossas delegacias, desde o mobiliário velho e problemático que precisa ser substituído até a insuficiência dos materiais de escritório”.

Todo esse cenário é agravado pelo fato de que a Polícia Civil carece de um efetivo cerca de duas vezes maior do que atual. “Temos muito menos pessoal do que necessitamos. Essa defasagem sobrecarrega nossos policiais, causando problemas de estresse elevado, e limita a atuação dos policiais”, diz Gaúcho, apontando ainda que a PCDF precisa ser ampliada, com a construção de novas delegacias.

“Um efetivo de agentes tão abaixo, eles acabam sobrecarregados, trabalhando em condições ruins de trabalho e ainda mal remunerado”, conta, se referindo à defasagem dos salários, que se prolonga desde 2009. A inflação acumulada no período entre janeiro de 2009 e abril de 2016 é, segundo o IPCA de 60,36%. A inflação acumulada no período entre janeiro de 2009 e abril de 2016 é, segundo o INPC, de 61,40%. Apesar dos números, o único reajuste recebido pelos policiais foi de 15,3% divididos em 3 anos, o qual foi estendido a todo o funcionalismo federal, em 2013. “A falta de reajustes, que, dentre todas as forças de segurança, somente os policiais civis do DF não receberam, diminuiu pela metade o poder de compra dos agentes”, aponta o presidente da associação.

“Tal situação chega a ser degradante. A falta de reformas nas delegacias e a defasagem dos equipamentos, além de gerar desconforto, coloca em risco a saúde e a vida dos agentes da Polícia Civil. Temos muitos casos de afastamento por adoecimento. Essa desvalorização afeta diretamente o psicológico dos policiais, que acabam pedindo exoneração ou acumulando problemas pessoais relacionados ao trabalho”, diz Rodrigo. E completa: “O serviço à população também é deficitado. Tudo isso influencia negativamente na resolução de crimes e gera atraso e demora nas investigações”.

Apesar dos diversos problemas, os policiais têm batido recordes de prisões de criminosos suspeitos, principalmente em casos de destaque, como os de explosões de caixas eletrônicos e homicídios, como o do servidor público no Guará, assassinado em frente ao colégio dos filhos. “Temos quebrado recordes de prisões de armas, drogas e menores infratores. Portanto, é fácil perceber que se houvesse melhores condições e valorização, a sociedade teria um serviço de melhor qualidade”, aponta Gaúcho.

Entre as exigências dos policiais, constam: maior investimento em reformas e construções de delegacias, substituição imediata das pistolas utilizadas, aquisição de coletes e viaturas, contratação imediata de todos os aprovados no concurso de 2013 e convocação para a Academia dos Aprovados nas demais etapas dos concursos de agente de polícia e papiloscopista policial, regulamentação de auxílios e abertura de novo concurso.

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