OPINIÃO | Nem direita, nem esquerda. Política vive crise ideológica


Por Ricardo Callado


 A direita foi derrotada psicologicamente pela esquerda e deixou de expor suas teses com convicção. O caminho da derrota foi esse.

A esquerda foi derrotada pela ânsia de monopolizar o debate. Aparelhar e se apropriar do Estado. E se lambuzar com dinheiro público, não mais somente pela causa, mas para enriquecimento ilícito. Labuta noite e dia pela tomada do poder total. Iludir-se é suicidar-se.

Parte da direita (PMDB, PP, PR) se aliou a esquerda (PT e PCdoB) para permanecer no poder durante os últimos 13 anos e algumas décadas para frente. O formato fracassou. Não tinha como dar certo.

A outra direita deixou de ser direita quando não soube ser oposição. Veio a crise existencial. Perdeu a guerra psicológica e as bandeiras.

A outra esquerda deixou de ser esquerda quando se tornou linha auxiliar do PT e dos governos Lula e Dilma. Veio a crise de identidade. E a vergonha de apoiar o que antes criticava. Não podem ser levados a sério

Partidos e políticos estão misturados, numa mesma salada ideológica. Ou a ausência de ideologias que levou o país a esse ponto.

Durante os últimos anos, os políticos perderam a vergonha na cara. E população, o poder de indignar-se. Uma combinação perfeita e explosiva para o caos. O vento começou a mudar em 2013. E com a ajuda da ala séria do Judiciário

No Distrito Federal, quem poderia ser classificado de direita ou de esquerda? Pelo antagonismo, poucos. Pela linha ideológica, quase nenhum.

O que se acusa do adversário, se sai em defesa do aliado. Tudo é uma questão de conveniência. E de pouca vergonha.

Os partidos estão no limbo, sem saber que rumo tomar. E quais são suas verdadeiras bandeiras.

O PSB, que comanda o Palácio do Buriti, é socialista no nome, mas governa com o PSD, que “não é de direita, nem de esquerda, muito pelo contrário”, como definiu o próprio criador da legenda, o ministro Gilberto Kassab.

PSD tem o vice, Renato Santana, que entre idas e vindas, vai colher o sucesso ou o fracasso do governo. E também o deputado Rogério Rosso, que muitas vezes faz de conta que nada tem a ver com o governo, mas foi essencial na vitória dele, principalmente com tempo de TV. PSB e PSD estão atrelados.

No mix de legendas que apoiam o GDF, também temos PDT, PV, Rede, Solidariedade e PRB e outros. Além do PT, que é um dos partidos mais fieis a Rollemberg quando o assunto é votação em plenário na Câmara Legislativa, mas se declara oposição.

Só dá para entender essa bagunça porque governar virou uma suruba partidária. Em todos os estados. Em todas as cidades. A culpa é do sistema político.

A oposição declarada é formada por PMDB, PSDB, PP, Pros e DEM. Nesse bolo estão nomes como Filippelli, Izalci, Roney Nemer, Alberto Fraga, Laerte Bessa e Eliana Pedrosa.

Alguns partidos, como o PR, são governo e oposição ao mesmo tempo. Que o digam Agaciel Maia e Bispo Renato. E também Bessa e Jofran Frejat.

Agaciel é o preferido do governador para comandar a Câmara Legislativa nos próximos dois anos. Enquanto o bispo é uma das vozes mais fortes de oposição no Legislativo local.

O PTB, de Liliane Roriz, e o PTN, de Rodrigo Delmasso, não sabem se vão ou se ficam. Observam para ver até onde isso vai dar. O PHS, do Lira, depende da caneta do governador.

O PPS é uma esfinge. Age de forma independente, mesmo tendo a Presidência da Câmara Legislativa com o apoio do governador Rollemberg e o ex-líder do governo. Celina Leão é hoje uma das maiores críticas ao governo e segue por um caminho diferente. E Raimundo Ribeiro fala com liberdade das mazelas ao GDF.

Também tem o senador Cristovam Buarque, que vem repetindo a mesma ação há duas eleições. É aliado durante a campanha e oposição seis meses depois de o governo empossado.

Em 18, não teremos um desenho muito diferente. Partidos antagônicos se unindo para chegar ao poder. Quem hoje é aliado, amanhã estará subindo em palanque contrário.

Enquanto existir mais partidos do que se possa contar com os dedos das mãos, essa mistura ideológica vai persistir. O país precisa de uma reforma política urgente. Ou as conveniências políticas continuarão se sobressaindo as prioridades da sociedade.

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