Grêmios estudantis fortalecem escolas indígenas em Alagoas

Em Alagoas, quatro escolas indígenas da rede pública estadual fortaleceram essa identidade (Fotos: Valdir Rocha)

Maceió (AL) – A escola é um local de difusão do conhecimento. Para comunidades indígenas, também é um lugar onde os mais jovens aprendem a história de seus povos e vivenciam suas tradições e cultura. Em Alagoas, quatro escolas indígenas da rede pública estadual fortaleceram essa identidade: a partir deste mês, eles passam a contar com grêmios estudantis.

Estão com grêmios empossados as escolas estaduais indígenas Pajé Miguel Selestino da Silva; Mata da Cafurna (ambas em Palmeira dos Índios); Anselmo Bispo de Souza (Inhapi) e José Carapina (Pariconha). Estes espaços representativos funcionarão como interlocutores dos estudantes em suas comunidades escolares.

De olho em aspectos socioambientais, mas focados na defesa de seus povos e suas tradições, os jovens indígenas apostam na atuação dos grêmios para obter conquistas dentro e fora da escola.

É o que explica Nailza Caboclo da Silva, aluna da 1ª série do ensino médio da Escola Estadual Pajé Miguel Selestino da Silva, em Palmeira dos Índios. Nailza foi eleita presidente do grêmio estudantil Pajé Miguel Xukuru Kariri e pontua suas expectativas acerca deste novo desafio.

Única indígena a representar Alagoas na Conferência Nacional do Meio Ambiente em 2014, em Brasília, e apontada como uma das líderes juvenis de sua comunidade, ela diz que vai trabalhar em prol da sua cultura do seu povo. “Como gremista, pretendo ajudar a coordenação pedagógica, professores e direção a cuidar da nossa escola e da nossa aldeia, além de fortalecer a nossa cultura”, declara a jovem líder.

3ª Gere – Até o início deste ano, apenas uma das 32 escolas que compõem a 3ª Gerência Regional de Educação (Gere) – que abrange Palmeira dos Índios e municípios vizinhos – possuía seu grêmio estudantil: a Escola Estadual Humberto Mendes, em Palmeira dos Índios.

Após a mobilização empreendida pela equipe de gestão escolar da Gere, 26 unidades de ensino médio já estão com gremistas empossados e em plena atuação, entre elas duas das seis escolas indígenas da regional.

O gerente da 3ª Gere, José Tenório França, foi gremista em sua adolescência e diz que os mesmos executam um papel fundamental na dinâmica da escola. “O grêmio é responsável pela vida social da escola, envolvendo pais e comunidade. Será uma experiência muito proveitosa para estes jovens”, avalia França.

A técnica da Unidade de Apoio Pedagógico da 3ª Gere, Bernadete Fernandes, complementa que “o grêmio oportuniza o protagonismo juvenil e a revelação de talentos. Para a nossa Gere, é um marco histórico”.

Sertão – Já na 11ª Gere, que compreende as escolas estaduais do Alto Sertão alagoano, o processo de mobilização para as eleições dos grêmios está em andamento. “Temos escolas onde alguns grêmios já foram empossados, mas em outras o processo de mobilização ainda está acontecendo”, informa a gerente Emanuela Ferreira.

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