OPINIÃO | Toffoli ameaça a Lava Jato

Por Andréa Dutra


A Operação Lava Jato e o combate à corrupção tem um novo inimigo: Dias Toffoli. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal de livrar da prisão preventiva o petista Paulo Bernardo é um sinal de que a porteira será aberta. Ou as portas das celas dos corruptos.

Ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, a ação de Toffoli significa muito mais do que conceder a liberdade, depois de apenas seis dias de detenção. É bom lembrar que Paulo Bernardo é acusado de participar de um esquema de desvios de R$ 100 milhões.

Dias Toffoli, ex-advogado do PT, teve uma medida monocrática. E atropelou as instâncias como o TRF de São Paulo e STJ. Assim, abre um precedente perigoso para as grandes operações como Lava Jato, Zelotes e Acrônimo e para a Justiça brasileira como um todo.

Onde passa um boi, passa uma boiada. O temor de juristas e investigadores é de que a atitude do ministro possa deflagrar uma reação em cadeia que comece a retirar de trás das grades figuras-chave de esquemas de corrupção.

Toffoli não apenas compromete as investigações, como coloca em marcha articulações para que praticamente ninguém mais seja detido preventivamente. E isso vale para denunciados com prerrogativa de foro ou não.

Só para se ter uma ideia, a lista que Dias Toffoli pode beneficiar é grande: o ex-presidente Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ou o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo.

Um efeito colateral que interessa a muita gente graúda e encrencada. Até a tornozeleira eletrônica, mecanismo utilizado para o monitoramento de presos e investigados, foi dispensada por Toffoli.

A decisão do ministro do STF recebeu críticas por todos os lados. De magistrados ao simples cidadão. Toffoli ficará marcado por essa decisão. Entre defender o PT e a sua biografia, o coração vermelho bateu mais forte.


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