OPINIÃO | Pesquisa eleitoral: antes, durante e depois

Por Ricardo Callado


Hoje não mais se concebe uma campanha feita às cegas, baseada apenas na sempre discutível “experiência”, na intuição e na improvisação. Estamos na pré-campanha municipal e faltam dois anos para escolher o presidente da República, governadores, senadores e deputados.

A pesquisa é o único meio de se saber se determinado candidato ou administração está indo no caminho certo ou não. Pode até se fazer críticas a determinados resultados ou tendências de momento. Mas isso faz parte da política e das paixões.

Uma campanha que não possua um conhecimento preciso das opiniões e sentimentos dos eleitores, e do acompanhamento das flutuações daquelas opiniões, está fadada ao fracasso. O mesmo vale para quem está no poder.

A pesquisa política possui os instrumentos técnicos adequados para identificar as propostas aprovadas pelos segmentos decisivos do eleitorado, de cujo apoio depende a vitória.

Além disso, proporciona à campanha as informações necessárias para definir o seu eixo estratégico. Isso permite utilizar com a maior eficiência possível, os sempre limitados recursos de que dispõe.

Com as novas regras eleitorais, os meios e os recursos estarão cada vez mais escassos. A moderna campanha eleitoral deve, então, sempre que possível, ter um programa completo de pesquisas – quantitativas e qualitativas – correspondendo às suas diferentes fases.

Sem elas é tiro no escuro, é voo sem radar, é navegar sem bússola. Nas eleições municipais de 2016 as pesquisas eleitorais serão ainda mais importantes, já que estamos diante de um processo de disputa muito curto.

Para quem vai disputar em 2018, já passou da hora. Candidato que quer ter sucesso deve ter em sua mesa o resultado de uma pesquisa mensal ou pelo menos a cada dois meses.

As pesquisas podem ser planejadas para medir fatos simples e complexos. É uma ferramenta de marketing desde que tenha consciência de seu poder, assim como de seus limites.

As informações extraídas de cada estudo devem ser sempre ser avaliadas à luz da experiência, do bom senso e de outras informações pertinentes ao processo eleitoral.

Porém, as pesquisas não podem ser conduzidas por aventureiros que aparecem a cada eleição.

Quem faz marketing político sabe que o trabalho não é limitado apenas ao período eleitoral. A campanha política é um processo constante. Um acontecimento pode modificar a imagem de um político ou de um partido perante o público. Por isso, é tão importante saber qual é a opinião da população em relação à política (e aos políticos).

Detectar o estado de espírito dos eleitores, levantar as principais demandas e frustrações, aferir a avaliação geral da atual administração, detalhar os pontos fortes e fracos da atual administração, mapear os temas mais presentes, medir adesão a discursos alternativos, levantar ações mais urgentes para o governante são alguns pontos que um político precisa ter conhecimento.

As pesquisas são feitas dentro e fora da época das campanhas. As pesquisas de opinião durante o período eleitoral são bem conhecidas pelos políticos e pela população.

Com estas enquetes as pessoas conseguem ter uma dimensão de como está o cenário de um pleito. Ou seja, é por meio desta forma de pesquisa política que os eleitores, assessores políticos e os próprios candidatos percebem os rumos que uma eleição está seguindo.

Tão ou mais importante do que as pesquisas durante as eleições são os levantamentos que são feitos periodicamente. Para quem trabalha com assessoria de marketing político é primordial saber se as estratégias do grupo político estão corretas.

Através destas enquetes é que se conhece os locais onde um grupo político é forte, quais são os candidatos que têm mais simpatia da população, como está sendo a administração pública de um local, quais são as demandas da população de certa região etc.

Normalmente estas pesquisas não são publicadas pela imprensa e servem, principalmente, como uma poderosa ferramenta de marketing político. É muito importante para um político conhecer o eleitorado.

Toda a estratégia de uma campanha eleitoral é montada (pelo menos pelos grandes grupos políticos) a partir do levantamento destas pesquisas de público. Imagine só a vantagem que um candidato, partido ou assessor político tem ao saber exatamente como atingir aos eleitores.

Por exemplo: digamos que uma enquete afirme que a maior demanda dos moradores de certo local é em relação à educação e que entre dois pré-candidatos de um partido, um tem muito mais simpatia do que outro nesta região.

Ainda mais, digamos que esta mesma pesquisa política faça um mapeamento de quais são as áreas que o partido político tem o apoio das pessoas. Só com estes exemplos é possível traçar um amplo plano de ação para a campanha eleitoral.

Não há dúvidas que estes levantamentos são indispensáveis para quem deseja sobreviver no meio político.


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