Artigo | “Liberté”, “Égalité” e “Fraternité” ?

Por Luciano Lima


Luciano limaA França foi alvo de ataques novamente. O atentado de quinta-feira (14) em Nice, no sul da França,  quando um motorista atropelou centenas de pedestres durante a comemoração da Queda da Bastilha, deixando pelo menos 84 pessoas inocentes mortas e dezenas de feridos, é o terceiro atentado que ocorre no país em menos de dois anos.  Em 2015, os radicais islâmicos promoveram uma série de atentados em Paris que chocaram o mundo. Ninguém vai esquecer os 70 mortos na boate Bataclan e os 12 mortos do Charlie Hebdo.
Foi a França que desenhou os conceitos de Direitos Humanos e onde as liberdades cívicas são um exemplo universal. Mas o país da “Liberté”, da “Égalité” e da “Fraternité” se meteu no labirinto das fobias: a islamofobia e os preconceitos de gênero e racial.  As próprias eleições francesas, nos últimos anos, foram marcadas por homofobias agressivas que fizeram várias vítimas e colocou em primeiro plano pequenos grupos fanáticos com perigosas intenções. Além dos problemas internos – que não são poucos – a participação da França na coalizão internacional que fez ataques contra os jihadistas no Iraque e na Síria colocaram o país na mira dos extremistas.
Eu não sou um especialista em política internacional. Aliás, eu tenho certeza que entendo muito pouco do assunto. Mas é fato que as criaturas estão se voltando contra seus criadores. E tem outro fator que considero muito importante: a desigualdade que galopa a passos largos.
As Olimpíadas no Brasil estão chegando e todos nós sabemos que nossas fronteiras são a “casa da Mãe Joana” e apesar de o Brasil ser um país que não costuma se envolver em guerras internacionais, as Olimpíadas podem, sim, ser uma vitrine para os terroristas.

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista


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