OPINIÃO | Para quem gosta de teoria da conspiração

Rodrigo Rollemberg concede entrevista , a sua esquerda o vice-governador Renato Santana (José Cruz/Agência Brasil)


Por Ricardo Callado


A notícia de uma suposta cobrança de propina na Secretaria de Fazenda chama atenção para detalhes. A primeira é a forma como foi feita a gravação. A primeira impressão é que o vice-governador Renato Santana caiu numa armadilha.

Os interlocutores de Santana são a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, e o ex-funcionário do sindicato, Valdeci Rodrigues. A gravação foi feita num apartamento em Águas Claras, num momento de aparente descontração.

Santana diz na gravação que recebeu a denúncia de que estaria sendo cobrado 10% de propina na Secretaria de Fazenda e si dirigindo a Marli diz: “Eu me sinto… Seria um escroto não te falar”.

Mas Santana poderia fazer e não apenas falar para a presidente do sindicato. Na semana passada, durante uma viagem de três dias do governador Rodrigo Rollemberg, ele assumiu o governo e teve a oportunidade de buscar explicações sobre a denúncia que teria recebido.

Santana poderia ter aberto um procedimento para investigar o caso. Não o fez. Se sabia e não tomou providências, então prevaricou.

Outro detalhe é que em determinado ponto da gravação Valdecir de dirige a Santana e pergunta se ele estaria preparado para assumir o governo. O ex-funcionário do sindicato sugere que o vice poderia substituir definitivamente Rollemberg, em caso de impedimento.

Só para se situar, a conversa aconteceu duas semanas após a abertura da CPI da Saúde na Câmara Legislativa.

Marli Rodrigues ganhou notoriedade após uma matéria que foi ao ar pela TV Globo, no telejornal, DFTV 2ª Edição, em 17 de abril de 2013, sobre calotes de servidores, apropriação indébita de Fundo de Garantia Sobre Tempo de Serviço (FGTS), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de servidores, além de transferência de contribuição de sindicalizados para contas de funcionários de confiança, diretores e até familiares da atual presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues.

A denúncia narra a demissão de 46 funcionários do Sindicato que foram vítimas de calote, uma vez que o SindSaúde não havia efetuado as homologações das rescisões de dos trabalhadores demitidos em janeiro daquele ano. A matéria aborda também uma denúncia de transferências ilegais realizadas entre 2009 e 2012, que somam mais de R$ 2 milhões, das contribuições dos sindicalizados, para contas de funcionários de ‘confiança’, da filha e do genro, da então tesoureira do Sindicato, Marli Rodrigues, além de diretores do Sindicato.

As transferências ocorreriam em ocasiões que a Secretaria de Saúde, ao transferir as contribuições dos sindicalizados para a conta corrente de titularidade do SindSaúde-DF, este repassava recursos para as contas particulares sem justificativas plausíveis.

Voltando a gravação do vice-governador, o assunto deve ecoar na próxima semana dentro da CPI da Saúde, que foi convocada para uma reunião extraordinária na segunda-feira (18). Ali, a batata do governador vai assar.

Resumindo: o enredo é formado por um vice que recebeu uma denúncia e prevaricou, uma sindicalista enrolada, um discurso da moda de impeachment e uma briga entre Executivo e Legislativo. Para quem gosta de teoria de conspiração, é um prato cheio.

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