Programa catarinense estimula a liderança e o espírito empreendedor de jovens rurais

O curso do Programa SC Rural, do Governo do Estado, capacitação jovens para empreender no campo e gerir melhor as propriedades rurais. Scheila Carneiro, 26 anos, de Campo Alegre, fez o curso e está investindo em uma fábrica de queijos - Foto: James Tavares / Secom

Florianópolis (SC) – Aprender a empreender e se tornar dono do próprio negócio. Esta é a estratégia do curso de Formação em Liderança, Gestão Ambiental e Empreendedorismo com Jovens Rurais. O curso do Programa SC Rural, do Governo do Estado, estimula o espírito empreendedor e a sustentabilidade, ajuda a desenvolver iniciativas que agreguem valor aos produtos catarinenses e contribui para que os jovens permaneçam no meio rural.

As histórias de sucesso são muitas e abrangem jovens que mudaram suas realidades e de suas famílias, como Scheila Carneiro, 26 anos, de Campo Alegre. Sua família, há muitos anos, tem o leite como principal fonte de renda da propriedade. A dedicação e a busca constante por informações sobre novas técnicas de produção e beneficiamento de leite levaram a jovem a fazer o curso.

Na época em que Scheila frequentava as aulas, a greve dos caminhoneiros prejudicou a família, que se viu obrigada a ficar com o produto em casa, pois não tinha como transportá-lo. E assim surgiu a ideia de transformar os 700 litros de leite em queijos. A alternativa deu certo. Scheila apresentou como projeto de vida, no final do curso, a construção de uma fábrica de queijo. A proposta foi selecionada pela banca organizadora e, assim, a jovem recebeu apoio financeiro do SC Rural.

“Está sendo uma transformação na minha vida e da minha família. Assim que a construção do empreendimento estiver concluída, pretendo vender o produto direto ao consumidor na propriedade e nos mercados da região. De uma crise surgiu a mudança. Eu vou investir cada vez mais e, quem sabe, daqui uns anos serei a proprietária de uma grande indústria. Talvez se eu não tivesse tido o apoio do SC Rural, não teria conseguido fazer o investimento”, relatou Scheila.

Outro caso é de Lucimar Hoff, também de Campo Alegre. O jovem agricultor, que produz morangos, relatou que a família buscava novas oportunidades, ideias e conhecimentos e que o curso foi fundamental para isso.

“Pensávamos em trabalhar em empresas da região, porque o meio rural apresenta muita dificuldade de sobrevivência e altos custos de produção. Achávamos que tínhamos pouca terra e que não dava para termos uma qualidade de vida melhor. Com os conhecimentos adquiridos no curso, vimos que poderíamos plantar mais morangos em pouco espaço. E assim, começamos a produzir. Percebemos que era só a gente se organizar”, afirmou.

O jovem contou que durante o curso outras propriedades foram visitadas para que dúvidas fossem sanadas e para que erros não ocorressem. “Aprendemos com quem já sabia. Nosso objetivo daqui para frente é melhorar cada vez mais. O programa SC Rural proporcionou um grande salto na nossa qualidade de vida e fez a gente enxergar que podíamos, sim, empreender nas nossas terras”, garantiu.

Everton Ruske, de Taiópolis, está fazendo o curso há quatro meses e recomenda a experiência. “Já aprendi várias coisas importantes e estou aplicando na propriedade os conhecimentos. Pretendo trabalhar com bovinocultura de leite. Eu espero que esse curso continue para que outros jovens possam fazer, porque vale a pena.”

Sobre o curso

Com 10 meses de duração, o curso ensina noções de computadores, de agronegócio e de gerenciamento de propriedades. O Programa SC Rural já formou 939 jovens no Estado entre 18 a 29 anos, de 2012 a 2016. Até o final deste ano, o curso terá capacitado 1.340 jovens e destinado recursos para implantação de 539 projetos de jovens egressos. As aulas são ministradas por profissionais da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e da Epagri.

O engenheiro agrônomo e extensionista da Epagri de Campo Alegre, Ildefonso Cardoso, diz que o curso estimula o empreendedorismo e o associativismo: “É gratificante ver tantos casos de sucessos. Tantas famílias tendo mais qualidade de vida”.

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a Secretaria de Estado do Turismo, Cultura e Esporte e a Fatma participam de alguns cursos ofertados. Se a capacitação tiver foco em questões ambientais, por exemplo, técnicos da Fatma podem ser convidados a dar aulas e palestras sobre temas específicos, assim como as outras secretarias.

Após a formação, os jovens têm a oportunidade de elaborar projetos individuais ou comunitários, levando em conta os aspectos sociais, culturais, ambientais e econômicos. As melhores propostas são selecionadas e recebem apoio financeiro do SC Rural. O Governo do Estado garante 80% do valor previsto para os projetos selecionados e o proponente tem um compromisso de aplicar os 20% restantes como contrapartida. O valor máximo de apoio para projetos individuais é de R$ 10 mil. No caso de projetos coletivos, o valor máximo é de R$ 15 mil para cada jovem participante do grupo.

Os incentivos do Governo do Estado aos jovens empreendedores buscam combater o histórico problema do êxodo rural e o envelhecimento da população do campo. Na década de 1950, 77% da população de SC estava no meio rural. Hoje, são 16%.

O secretário executivo do SC Rural, Julio Cezar Bodanese, informou que aproximadamente 130 mil famílias catarinenses vivem no meio rural, o que reforça o compromisso do Estado em oferecer a infraestrutura necessária para manter o modelo catarinense de produção agrícola.

“Temos um exemplo de agricultura familiar competitiva e qualificada, que é uma referência para o país. Por isso, estimular o jovem a permanecer no meio rural é fundamental. Temos que preparar o jovem que fez a opção de permanecer no campo da melhor forma possível”, disse Bodanese.

Programa SC Rural

O SC Rural conta com investimentos do Governo do Estado e do Banco Mundial (Bird) para aumentar a competitividade da agricultura familiar catarinense. Sob a coordenação da Secretaria da Agricultura e da Pesca, o Programa abrange atividades em áreas como crédito, logística, transporte, comunicação, capacitação tecnológica e gerencial, gestão ambiental, gestão de qualidade, defesa sanitária, que induzem a criatividade e a inovação para empreendimentos familiares agrícolas, não agrícolas, agroindustriais ou de serviços.

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