OPINIÃO | Dilma, Cunha, Lula e Rollemberg. O que aguardar para agosto


Por Ricardo Callado


As crenças orientam nosso comportamento. Isso não se refere apenas ao religioso, está nas esferas privadas e públicas, materiais e espirituais, formais e informais. Crer é aceitar uma ideologia, técnica, atitude ou explicação de infortúnio sem discussão.

São respostas às dificuldades, aos obstáculos ou às aspirações humanas. Procuramos ajustá-las às expectativas pessoais e sociais para preservar nossa segurança diante de uma ordem de difícil interpretação.

As crenças não são ignorâncias exclusivas de povos carentes, existem também entre os mais estudados. Elas abrangem desde fé religiosa, até o conhecimento empírico sobre fenômenos físicos, emocionais, sociais e espirituais.

Isso inspira argumentos para justificar os eventos avessos à solução provida pelo conhecimento técnico-científico, pois ele não responde a todas as aflições humanas.

Enquanto alguns temem gato preto, espelho quebrado ou sal derramado, ou acreditam em almas gêmeas e predestinação, ou ainda tratam suas angústias no divã de psicanalistas, o meio político se aperreia esperando agosto chegar.

Agosto mês do desgosto. A rima é fácil e os acontecimentos políticos dos mais variados. Em 16, agosto será lembrado pelo impeachment da petista Dilma Rousseff e pela cassação do seu algoz, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Para o país, será um expurgo, o fim de um ciclo, e a possibilidade de um novo começo.

Só para lembrar, foi em agosto o registro de acontecimentos como: suicídio de Getúlio Vargas em 1954; renúncia de Jânio Quadros em 1961; e morte de Juscelino Kubitschek em 1976.

No mês ainda pode acontecer a tão falada e esperada prisão do ex-presidente Lula. Para muitos analistas, a hora está chegando, e o petista sabe disso. Até petição ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) ele enviou nesta quinta-feira (28). Bateu o desespero.

Na política local, agosto promete uma guerra entre o Palácio do Buriti e a Câmara Legislativa. Com o fim do recesso, o governador Rodrigo Rollemberg vai ser alvo de fogo cerrado de adversários políticos. A CPI da Saúde será um desses instrumentos.

O vazamento à conta-gotas de conversas privadas entre o vice-governador Renato Santana e a sindicalista Marli Rodrigues é o combustível conveniente para manter o governo sob ataque.

A adoção das Organizações Sociais (OSs) na Saúde será outro fato para desgaste do governador. São todos contra, por ideologia ou conveniência. Até os que são a favor.

A disputa será política e econômica. Rollemberg resolveu mexer numa caixa preta. A Saúde do DF é explorada por grupos empresariais há décadas. Uma máfia que fará de tudo para não perder seus negócios.

Outros interesses políticos se unem para desgastar o governo. Rollemberg terá pela frente uma batalha para se manter vivo politicamente até 18. Suas ações fizeram afastar muita gente que poderia somar. A divisão causa o isolamento e o isolamento faz muito mal ao governo, a qualquer governo.

Rollemberg errou em não apostar no diálogo. O afastamento deu margem à união de forças adversárias com aliados descontentes. Além de conspiradores e chantagistas, que procuram sabotar o governo, seja criando situações embaraçosas, ou dando maus conselhos.

Agosto será um mês decisivo para o governo Rollemberg. Pode ser o começo do fim, ou o recomeço. O caminho vai depender das ações e reações.

Para quem tem suas crenças, agosto é um mês de instabilidade política e todos ficam muito inquietos enquanto setembro não vem…

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