OPINIÃO | Propaganda eleitoral e um governo meio termo


Por Andréa Dutra


Quando um governo, antes da campanha eleitoral, tem uma aprovação excepcional não precisa de tempo de TV para mostrar nada.

É verdade que quando um governo é um completo desastre, antes da eleição, nem todo tempo de TV na campanha eleitoral resolve.

Entretanto, quando um governo fica no meio termo, com avaliação entre ruim e regular, um bom tempo de TV na campanha eleitoral pode construir virtualmente um bom governo, elevando sua avaliação ruim a regular para boa e até ótima. É a dita ficção televisiva. E o povo passa a acreditar nisso.

Tem muitos bons marqueteiros que consegue fazer esse verdadeiro milagre. Conseguindo consertar na TV o que não foi feito nos quatro anos de governo.

Não é difícil se construir virtualmente um governo em campanha eleitoral. A maior ajuda vem da própria população que costuma não prestar muita atenção aos governos. A maioria das pessoas tende a comparar defeitos e virtudes.

Agora, quando o desempenho de um governo afeta muito as pessoas, para o bem ou para o mal, a opinião delas se torna sólida e não muda com a campanha, apesar da ficção eleitoral na TV. Não adianta construir um governo virtual.

Em meados de maio de 2008, por exemplo, o Datafolha avaliava o prefeito Kassab com 39% de ótimo + bom. No início de outubro, depois da recriação de seu governo na TV, Kassab passou a ter segundo o Datafolha, 61% do ótimo + bom.

No início de julho de 2008, o prefeito de Salvador João Henrique Carneiro – segundo o Datafolha – tinha 16% de ótimo + bom. Entrando outubro – segundo o Datafolha – João Henrique já era avaliado como ótimo + bom para 41% dos eleitores. São muitos os exemplos.

O que poderia ter mudado nesses dois governos nos três meses de campanha? Nada. O que mudou foi a ficção eleitoral pela TV, para um eleitorado desfocado dos governos, mais os ignorando que os avaliando, apesar das pesquisas.

Um jingle que deve ser registrado para a história dos governos virtuais: “Quero Morar na Propaganda do Governo da Bahia.” Resume bem o que é essa ficção televisa. Veja abaixo:

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