OPINIÃO | É preciso separar o político do institucional


Por Ricardo Callado


A visita do governador Rodrigo Rollemberg ao Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (12), tem duas leituras, a política e a institucional. A pauta da visita foi para debater a paralisação de policiais civis do Distrito Federal com o presidente Michel Temer.

Na parte institucional, o governador diz estar “preocupado” e que o governo de Brasília é no momento incapaz de arcar com gastos sem verba extra da União. A Civil que equiparação dos salários com a Polícia Federal

Após a reunião, em nota, o governo afirma que o objetivo do encontro foi “buscar soluções conjuntas” e que Temer “se comprometeu a estudar alternativas”.

A assessoria de Temer afirmou que o presidente não deu garantias, mas vai levar o tema à Fazenda nacional. O Planalto diz ter dificuldades em atender ao pleito dos governadores em função da crise econômica.

Caso a reivindicação dos policiais civis seja atendida, o impacto no orçamento do GDF seria de R$ 450 milhões por ano.

Rollemberg consultou, ainda, se poderia divulgar o teor do encontro e recebeu um positivo. Saiu da reunião confiante. Não havia recebido igual tratamento no governo Dilma. Ele considera que se iniciou um processo em busca de solução para a luta salarial dos policiais civis. E, numa segunda etapa, de toda a Segurança Pública.

Há também o receio de que outras categorias da segurança pública, como bombeiros e policiais militares, exijam a equiparação salarial com a Polícia Civil.

A nota oficial do Buriti causou polêmica na questão política. Institucionalmente, foi perfeita. A questão envolve a não participação do assessor de Temer, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli.

Filippelli vinha nos bastidores articulando também uma solução para a crise na Polícia Civil. Quando soube da reunião, se sentiu incomodado. Ligou para Temer e conseguiu uma declaração de que a nota foi “desleal”. Foi um pulo para ganhar espaço na imprensa.

Do ponto de vista político, a declaração de que Temer ficou insatisfeito com a nota foi perfeita. Faz parte da política. E tem ingredientes como a eleição de 18.

Uma coisa é a disputa política, outra é a relação institucional. Os dois lados estão agindo da forma como devem agir. O que não se pode aceitar é o prejuízo ao servidor público e a sociedade.

A disputa política não deve atrapalhar a relação institucional. E a relação institucional não pode ser usada para fins políticos. As duas partes agindo assim, o resto é permitido.

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