“Governo Temer precisa ir às ruas”, diz senador Ronaldo Caiado

Senador Ronaldo Caiado


O senador Ronaldo Caiado (Democratas-GO) alertou, em artigo escrito à Folha neste sábado (10), para o risco que o Governo Temer corre ao dialogar apenas com o Congresso e não buscar se aproximar da população.
Para Caiado, é vital para a continuidade do governo que ele se empenhe na batalha da comunicação. “O governo Temer começa a perder uma batalha vital: a da comunicação. […] Limitam-se a conversar com o Congresso, em busca de aprovar medidas legais contra a crise. Isso é indispensável, mas não basta. De costas para a sociedade, não escapará ao fisiologismo”, sinalizou.
O senador ressalta a movimentação que vem sido capitaneada pelas “forças derrotadas” que buscam confundir a sociedade sobre os verdadeiros responsáveis pelos graves problemas no país. “É o ladrão acusando a vítima de roubá-lo. Sem interlocução do governo com as ruas, a vítima acabará abraçada ao ladrão e acusando a polícia e a Justiça. Já há sinais preocupantes.”

Caminho

No artigo, Ronaldo Caiado aponta que o caminho a ser adotado para combater a estratégia de “sinais invertidos” e recuperar a sintonia com a população seria apresentar o exemplo com cortes na máquina pública, equilíbrio fiscal e uma permanente comunicação com a sociedade.
“Precisa repudiá-las e entender que não se sai da crise sem sacrifício. Porém, é preciso a força moral do exemplo, cortando na própria carne. Daí o desastre simbólico dos aumentos e da submissão aos lobbies corporativistas. O governo precisa enfrentar o PT e seus asseclas, sobretudo agora, quando seus crimes começam a vir à tona”, concluiu.
 
Confira o artigo na íntegra:
 

Ronaldo Caiado: Governo precisa ir às ruas

A efetivação do presidente Michel Temer, na imediata sequência do impeachment,  processou-se como mero ato burocrático, despojado do simbolismo que o acontecimento impunha. Política também é feita de gestos e símbolos. Foram subestimados.
 
Ato contínuo, as forças derrotadas, que levaram o país à ruína e protagonizaram os maiores escândalos financeiros de toda a nossa história – Mensalão, Petrolão e agora o ataque aos fundos de pensão, o Fundão -, foram às ruas, em atos de vandalismo explícito, “denunciar” as medidas de austeridade a que o país terá de recorrer para curar-se das lesões que elas próprias lhe impuseram.
 
O governo Temer começa a perder uma batalha vital: a da comunicação. O ambiente de desobediência civil, com conclamação a greve geral e até mesmo a guerra civil, proclamado por pelegos das centrais sindicais e autoridades da ordem deposta – a começar pela própria Dilma e seu mentor, Lula -, transmite ao público sinais invertidos: de que o impeachment não apenas é golpe, mas imporá sacrifícios desnecessários para lesar “conquistas sociais”.
 
Quem fala são investigados da Justiça – alguns já réus, caso de Lula, ou denunciados, caso de Dilma -, a adotar tom acusatório, quando têm apenas direito à defesa nas barras dos tribunais. E o que faz o presidente e seu governo? Limitam-se a conversar com o Congresso, em busca de aprovar medidas legais contra a crise. Isso é indispensável, mas não basta. De costas para a sociedade, não escapará ao fisiologismo.
 
O novo governo irá se legitimar nas ruas se estiver sintonizado, em permanente comunicação. É preciso que a sociedade saiba como estão as contas do país e quem e como as dilapidou. A analogia com o orçamento doméstico é de fácil assimilação pelo cidadão.
 
Simples: não se pode gastar mais do que se tem; não se pode endividar além da capacidade de pagar. O governo deposto gastou o que tinha e não tinha – e gastou mal. E roubou – muito.
 
Os números são eloquentes. Segundo os investigadores, o ataque aos fundos de pensão – um assalto a aposentados e viúvas de pensionistas! –, soma mais de R$ 50 bilhões.
 
É mais que o Petrolão, com os seus R$ 42 bilhões já auditados pela Lava Jato – e que o The New York Times havia classificado como o maior roubo da história da humanidade. E há ainda por investigar, entre outros, BNDES, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Dnit, Eletrobras. E a quadrilha é exatamente a recém-deposta pelo mais brando dos seus delitos, o crime de responsabilidade fiscal: PT, seu governo e seu aparato sindical, os mesmos que hoje bagunçam as ruas, no inacreditável papel de acusadores indignados.
 
É o ladrão acusando a vítima de roubá-lo. Sem interlocução do governo com as ruas, a vítima acabará abraçada ao ladrão e acusando a polícia e a Justiça. Já há sinais preocupantes.
 
A elite vermelha do PT, que controla várias centrais sindicais, investe no caos, em defesa de seu projeto bolivariano, indiferente à crise, que já produziu 12 milhões de desempregados. Com uma mão, pressiona o governo por aumentos a categorias que já desfrutam de estabilidade funcional, e ameaça com greve geral; com a outra, saqueia os fundos de pensão, lesando os aposentados. A sociedade precisa saber disso.
 
Precisa repudiá-las e entender que não se sai da crise sem sacrifício. Porém, é preciso a força moral do exemplo, cortando na própria carne. Daí o desastre simbólico dos aumentos e da submissão aos lobbies corporativistas. O governo precisa enfrentar o PT e seus asseclas, sobretudo agora, quando seus crimes começam a vir à tona.

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