Em segundo dia, WCIT discute temas sensíveis para o futuro digital

Vint Cerf, considerado um dos pais da internet e, atualmente, vice-presidente do Google (Foto: Albert Russel)

Maior congresso de TI do mundo acontece em Brasília e evidencia a tendência do comércio internacional online e dos cuidados com segurança cibernética

A 20ª edição do Congresso Mundial de Tecnologia da Informação (WCIT), em Brasília, entrou no seu segundo dia de programação nesta terça-feira (04) e promoveu o debate de temas centrais para compreender em que direção o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) deve seguir nos próximos anos.

Um dos momentos mais esperados do Congresso foi a palestra de Vint Cerf, considerado um dos pais da internet e, atualmente, vice-presidente do Google.  Em “Negócios Ilimitados: Internet no Século 21”, ele discutiu o futuro da internet e os principais desafios para o seu desenvolvimento.

Cerf deixou claro que a internet não está acabada, mas continua em construção. Segunda ele, ainda existe uma grande quantidade de negócios na área com forte potencial de evolução, a exemplo de novos protocolos, novas funções, aplicações de alta performance e Internet das Coisas.

Segurança Cibernética

“Segurança Cibernética do Estado” também foi um dos painéis mais procurados no segundo dia do WCIT. No debate, moderado por Christopher Furlow, ex-director do Departamento de Segurança Interna na Casa Branca, foram discutidas as principais ameaças dos ataques cibernéticos para os diversos públicos das TIC – desde os indivíduos, a empresas e mesmo governos.

Os palestrantes ressaltaram que, conforme as inovações tecnológicas continuam a mudar e agregar valor, novas ameaças surgem com elas. Destacaram que grande parte dos ataques tem objetivos financeiros. Um exemplo do sequestro de dados, um modelo recente de ataque, onde os hackers conseguem acesso a informações sensíveis, criptografando-as e, então, exigindo o pagamento para que a empresa possa recuperá-las.

Como as ameaças também estão em constante desenvolvimento, a sugestão é aplicar os recursos, mesmos que sejam limitados, para proteger os dados mais essenciais e estratégicos da organização. É um estudo que deve ser feito a partir da missão – partindo para o entendimento de quais ativos têm o potencial de despertar o interesse de hackers e, portanto, devem ser melhor protegidos.

O debate apontou ainda para a necessidade de as empresas e governos desenvolverem resiliência em relação aos riscos cibernéticos. Devem estar prontos para lidar com os ataques, e, na eventualidade de ter sua segurança comprometida, garantir que as atividades e serviços continuem em funcionamento.

Além da infraestrutura técnica de segurança, um dos pontos centrais do debate foi a governança dentro das organizações. O entendimento é que a vulnerabilidade também está ligada ao elemento humano. Por isso é necessário estabelecer políticas cibernéticas e educar os funcionários a fim de respeitá-las, evitando que os erros das pessoas possam tornar a organização suscetível a ataques.

Negócios

George Newstrom, presidente e gerente geral da Dell Services Federal Government, falou sobre as oportunidades e desafios de negociar com o governo, bem como as particularidades dos negócios com o governo federal norte americano. Newstrom apontou também os caminhos possíveis para estabelecer esse relacionamento.

Segundo ele, esse é um ambiente de mercado promissor que movimenta, por ano, cerca de meio trilhão de dólares apenas no setor de TI. Indicou ainda que a tendência de crescimento, nos próximos anos, é ainda maior na tecnologia da informação voltada especificamente para a área de software.

Outra importante discussão tratou do Comércio Internacional e Desenvolvimento Digital. Nesse painel, os participantes debateram como a digitalização está influenciando o comércio internacional e criando novas oportunidades de negócio para empresas de todos os tamanhos.

Torbjörn Fredriksson, diretor de Ciência, Tecnologia e Comunicação na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, apontou, por exemplo, que, enquanto na Dinamarca cerca de 70% das pessoas fazem compras online, no Brasil esse número cai para 19%. Para ele, mais do que um desafio, esse dado aponta para o grande potencial de crescimento do setor nos países em desenvolvimento.

O professor Anupam Chander, diretor do Centro Internacional de Direito da Califórnia, destacou ainda como os países em desenvolvimento conseguem hoje, com o acesso a informações e produtos de todo o mundo, pular estágios de desenvolvimento, entender e atuar melhor no mercado internacional.

Já Hanne Melin, diretora de Políticas Globais do Ebay na Europa, pontuou que os custos do comércio internacional através da internet estão caindo e, hoje, já são seis vezes menores do que os modelos tradicionais. Ressaltou ainda como a tecnologia pode fortalecer os pequenos negócios e como as empresas que atuam no e-commerce são mais aptas a lidar com momentos de crise – continuando com as vendas para outros países, quando há a queda da demanda no mercado local.

Durante o painel foi colocado, por outro lado, a regulação dos governos como um possível desafio para comércio internacional na era digital. O entendimento é que ainda há significativa resistência quanto à garantia da privacidade dos dados, por, em geral, serem mantidos em fazendas de servidores localizadas fora do país. A discussão seguiu ainda para questões como o impacto da robótica, da impressão 3D, dos ganhos de produtividade e da necessidade de diferentes licenças – locais, estaduais e nacionais – para os negócios internacionais.

Debates

À tarde, a programação seguiu com painéis e palestras que debateram sobretudo as estratégias para a construção e sustentação de um setor de Tecnologia da Informação e Comunicação próspero – passando por questões como a busca por mecanismos para extinguir o déficit de pessoas que estudam a indústria de TICs e medidas dos governos para criar sistemas que estimulem o empreendimento na área e a colaboração com o setor privado.

Além de experiências brasileiras, foram trazidos ainda estratégias, agendas e políticas digitais nacionais experimentadas por países como Argentina, Coréia, México e Costa Rica. Foi discutida também a participação das mulheres da tecnologia – em palestra realizada pela diretora de Operações de Multiplataformas da Rede Record de TV.

Para o presidente da Aliança Mundial de Tecnologia da Informação e Serviços (WITSA), Santiago Gutierrez, trazer o debate para o Brasil contribui não apenas com a atração de personalidades e investidores, mas para o avanço do país no cenário global de TI. “O Brasil está em sétimo lugar no ranking mundial mas poderia estar ainda mais à frente com ações de desburacratização e revisão das políticas públicas”, declarou.

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