OPINIÃO | Operação Drácon sob suspeita e um TJDFT pressionado

Por Ricardo Callado


Na segunda-feira (10), no Blog do Callado, foi adiantado que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) estava preparando uma nova fase da Operação Drácon.

Sob o título “Vem aí a nova fase da Operação Drácon. Quando seis não é meia dúzia”, o novo alvo não seria novos personagens, mas sim o julgamento que acontece nesta terça-feira (18) pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF.

A ação estava autorizada desde o dia 11 deste mês, mas só aconteceu nesta segunda-feira (17), seis dias depois.

Uma nova operação coloca pressão em cima dos desembargadores e a opinião pública, lançando supostos fatos novos. A operação desta segunda-feira (17) levou coercitivamente um servidor e um ex-servidor da Câmara Legislativa para serem ouvidos novamente pela Polícia Civil.

Também divulgaram imagens dos dois nos corredores do Legislativo com caixas e uma pasta preta, em dias diferentes e anteriores a primeira fase operação. Segundo o MP do DF, será investigado se eles estariam sumindo com documentos que poderiam atrapalhar a investigação.

O desembargador do TJDFT que acompanha o caso, negou pedido de prisão baseado em imagens anterior a operação e diz ao MPDFT, que imagens não provam tentativas de obstrução de justiça.

Na quarta-feira (13), também no Blog do Callado, outro editorial do Blog mostrava o bate cabeça entre as duas instituições que estão à frente da Operação Drácon. Sob o título “Ministério Público e Polícia Civil não degravam a mesma língua”, o texto revelava conteúdos diferentes de várias conversas gravadas pela deputada Liliane Roriz.

MP e Polícia Civil fizeram cada um a sua versão de um mesmo diálogo (veja no final do texto). O blog teve acesso às degravações e alertou, para o bem da justiça e da transparência, que deva-se culpar quem cometer as irregularidades, no caso recebimento de propinas na área de saúde. Mas, se o caso for politizado e servir para perseguir pessoas, não se fará justiça, mais sim justiciamento. E essa não é a missão nem do MP nem da Polícia Civil.

A nova fase da Operação Drácon, deflagrada hoje, mais parece uma forçação de barra em cima do TJDFT e dá combustível para aqueles que estão envolvidos colocarem sob suspeita toda a operação.

É percebível que se cometeram erros crassos durante a operação. E colocaram no mesmo balaio quem tem envolvimento real com alguns que foram citados e outros por simples dedução.

A sociedade deve apoiar a Operação Drácon e a CPI da Saúde instaurada na Câmara Legislativa, até porque ninguém mais aguenta ver desmandos na área e pessoas morrendo até por falta de combustível em ambulâncias. Mas Ministério Público e Polícia Civil precisam se acertar.

Se a deflagração na nova fase da operação seria para pressionar o Judiciário, a estratégia foi grosseira. E vai se voltar contra a operação. O TJDFT pode fazer os ajustes necessários e colocar a casa em ordem. Uma ação investigatória não pode servir a um grupo nem a um senhor, mas sim a sociedade. E quem for de barro que se quebre.

Veja algumas das diferenças entre as degravações do Ministério Público e da Polícia Civil

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