Programação do mês da Consciência Negra é oficialmente aberta na Bahia

Foto: Pedro Moraes/GOVBA

Uma noite em que a arte e a cultura reforçaram a luta secular pela igualdade de direitos e contra o racismo. Foi nesta atmosfera que o governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) lançou oficialmente  a programação do Novembro Negro, na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador.

Representantes do movimento negro, de religiões de matriz africana, historiadores, artistas e estudantes prestigiaram o evento. Na oportunidade, a titular da Sepromi, Fabya Reis explicou que diversas atividades em prol da igualdade de direitos e contra as diferentes formas de racismo são realizadas, porém, o Novembro Negro é uma oportunidade para dar ainda mais visibilidade às demandas da população. “Preparamos um Novembro Negro do tamanho da Bahia. Envolvemos as secretarias de Estado um conjunto de ações e entregas para este mês. Este ato no TCA faz referência e valorização aos nossos heróis e heroínas”.

A escolha da data para o lançamento oficial que contou com apresentação do Bando de Teatro Olodum é pelo fato de que, anualmente, no dia 8 de novembro são lembrados os líderes negros da Revolta de Búzios, que há 217 anos, foram presos, mortos e esquartejados na Praça da Piedade, em Salvador. Também subiram ao palco o cantor Lazzo Matumbi, além de cantores e bailarinos do Ilê Aiyê, Malê Debalê, Araketu, Filhos de Gandhy, Muzenza, Okanbi e Cortejo Afro. Juntos, eles homenagearam os heróis e heroínas que entraram na história por defender liberdade e a igualdade racial.

Bases Comunitárias

Cerca de 500 moradores de áreas atendidas por Bases Comunitárias de Segurança (BCS) tiveram a oportunidade de prestigiar ao evento e assistir ao espetáculo. Convidada da BCS Itinga, do município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, a estudante e atriz Luiza Nascimento, de 16 anos, parecia nem acreditar que estava prestes a conferir um espetáculo no palco do TCA, onde ela sonha um dia se apresentar. “Fiquei feliz quando dissera na Base (Comunitária de Segurança) que tínhamos recebido convite para vir para o TCA. O que as pessoas precisam é disso. É ver o que a Bahia tem de melhor, o que os negros podem oferecer. Nossa história é muito bonita. Os nossos ancestrais viveram em luta aqui. Não foi à toa”.

Além de valorizar a memória dos heróis da Revolta de Búzios, entre outros líderes negros, a programação, que já pode ser consultada no site da Sepromi (www.sepromi.ba.gov.br ), também foi construída com o intuito de dar mais visibilidade às comunidades e povos tradicionais. A yalorixá Helenice de Brito, do terreiro Ilê Axé Omin Jobá, localizado na Estrada Velha do Aeroporto, em Salvador, fez questão de comparecer ao lançamento, acompanhada de filhas de santo. “Acho importantíssimo, um novembro forte, em que comemoramos a luta de Zumbi dos Palmares”.

Edital

A lista com os nomes das organizações que foram habilitadas com edital Novembro Negro foi divulgada na segunda-feira (7) no site da Sepromi. Com o tema “As Lutas de Dandara e Zumbi pela Promoção da Igualdade Racial”, neste ano serão disponibilizados R$ 300 mil para projetos e atividades pela defesa dos direitos da população negra e dos povos e comunidades tradicionais, visando reduzir a pobreza e as vulnerabilidades sociais acometidas pela discriminação racial e intolerância religiosa. As modalidades são oficinas, seminários, cursos de capacitação e apoio a feiras de inclusão socioprodutiva.

Na opinião do diretor da Sociedade Protetora dos Desvalidos, primeira sociedade civil negra do Brasil, com 184 anos, Osvalrízio do Espírito Santo, “o Governo da Bahia fez muito bem em instituir em todo o estado o Novembro Negro. Para nós, é de uma importância enorme lembrar a memória dos grandes heróis negros da Revolta de Búzios. Eles continuam nos inspirando a continuar na luta para libertação do povo negro”.

Caminhada

Um dos pontos altos da programação do Novembro Negro é a caminhada no dia 20, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. Caminhadas protagonizadas pela sociedade civil, dentre outras atividades, mobilizam a capital e o interior da Bahia.

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