Eleição na Câmara Legislativa desenhada e comentada


Por Ricardo Callado


A oposição vai fazer o próximo presidente da Câmara Legislativa. E vai conseguir vencer elegendo um governista. Para o governo, não é ruim. Para a oposição, também não. Parece paradoxal, mas não é.

O GDF trabalha com planos A, B e C. Não confia cegamente em nenhum deles. Isso não é novidade. O Buriti não confia em ninguém, nem naqueles que estão dentro do governo, imagina no Legislativo.

Três candidatos disputam a cadeira de presidente da Câmara Legislativa. Dois já colocaram a cara a tapa, Agaciel Maia (PR) e Joe Valle (PDT). Ainda falta ser oficializada a candidatura de Sandra Faraj (Solidariedade).

Os três candidatos são governistas. O plano A de Rollemberg (PSB) é Agaciel. Emissários do Buriti já deixaram isso claro para os deputados. O Executivo tem uma base frágil e rachada. A candidatura de Joe Valle atrapalhou os planos do governo.

Se a eleição fosse hoje, a contagem de bastidor seria essa: Sandra Faraj teria 12 votos, Agaciel, 7 e Joe, 5. As conversas vão se intensificar e quem tiver mais poder de convencimento leva a disputa. O blog teve acesso aos mapas com a posição dos parlamentares, mas se reserva a não divulgá-los.

Sandra acredita que ainda pode levar mais dois votos, tirando um apoiador do Agaciel e outro de Joe.

Na contagem de Agaciel, pelo menos três deputados que fecharam com Sandra podem migrar para a sua candidatura.

Joe Valle aposta em conseguir tirar três votos de Agaciel e pelo menos um de Sandra. Se os três candidatos chegarem à reta final, teremos uma Câmara dividida e uma disputa inédita. Não é descartada a desistência de algum deles.

Mesmo com três candidatos governistas, a divisão dá força à oposição. Numa Casa dividida, o poder de barganha fica maior. Rollemberg pode se declarar vencedor, mesmo sendo derrotado. E a oposição, mesmo derrotada, sairá vencedora. E, nesse cenário, o próximo presidente pode adotar uma postura de independência. Assim, resgatando a imagem da Câmara.

A eleição está marcada para o dia 15 de dezembro, ou seja, daqui a duas semanas. Os deputados serão convencidos dos seus votos até horas antes da votação. A disputa esta aberta, mas nem tanto. O candidato que vencer terá o apoio da oposição. Resta saber se terá o apoio do governo.

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