Capital natural: o caminho das empresas para uma economia sustentável


Webinar realizado pelo CDP discutiu resultados do relatório anual da organização e empresas apresentaram suas iniciativas para o combate às mudanças climáticas

No ano em que foi assinado o Acordo de Paris, 7% das emissões de CO2 foram evitadas em setores como Energia, Financeiro, Industrial, Extrativo, entre outros, reduzindo um total de 19,3 MtCO2e (milhões de toneladas). Esta é uma das conclusões do relatório 2016, da América Latina, intitulado Capital natural: transparência e gestão como estratégias de mitigação de riscos, recentemente divulgado pelo CDP – organização que provê o mais completo sistema de divulgação ambiental do mundo, para empresas e cidades.

Segundo a publicação, mais de 100 empresas na América Latina participaram do reporte ao CDP durante o ano de 2016, nos programas Mudança Climática, Água e Floresta. Em Mudança Climática, por exemplo, responderam ao programa 115 empresas da região, dos setores de: Energia, Industrial, Telecomunicações, Financeiro, Bens de Consumo, entre outros. “A variedade de empresas participantes revela que a mudança climática é uma questão material para os diferentes negócios”, comenta Juliana Lopes, diretora do CDP para a América Latina.

A necessidade de adaptação para a mitigação dos impactos ambientais é uma realidade para empresas e cidades. E é por isso que muitas empresas se mostram no caminho certo para aplicar estratégias e projetos que visam à sustentabilidade como parte do planejamento financeiro e como tema estratégico para definição de metas e desenvolvimento da empresa em longo prazo.

Outra conclusão do relatório mostra que os projetos direcionados à eficiência energética são os mais relatados pelas empresas, representando 44% de todos os projetos realizados pelas empresas. “Esses são projetos com rápido payback, ou seja, são iniciativas que ‘se pagam’ rapidamente”, destaca Vicente Manzione, da Gestão Origami.

Mesmo com grande quantidade de iniciativas voltadas à mitigação de riscos em impactos ambientais, poucas empresas precificam suas emissões internamente e quantificam riscos e oportunidades de seus negócios. “Essas emissões serão inseridas em um processo de custo para as empresas. Isso já está consolidado, a questão agora é quando elas começarão a custar. Por isso, as empresas têm que se preparar para saber o impacto financeiro que a taxação de carbono causará nas operações”, complementa Manzione.

Nos programas Água e Floresta, a participação das empresas é menor, pois as empresas que respondem fazem parte de uma amostra global e não regional como no caso do programa de Mudança Climática.

No programa de Água são avaliados o stress hídrico sofrido pelas empresas e o manejo dos recursos hídricos realizado por elas. Segundo o relatório, a maior parte das empresas tiveram sua compra, seu consumo e seu descarte de água menor ou igual que no ano anterior. As principais ações tomadas nessa direção foram: investimento em infraestrutura e em novas tecnologias.

No programa Floresta, são analisadas iniciativas contra o desmatamento que podem ser impulsionadas pela produção de commodities usados na cadeia de valor de grandes empresas. O relatório mostra que 76% das empresas analisadas já estão comprometidas a reduzir ou eliminar o desmatamento em seus processos ou na cadeia de valor. “Existe um avanço muito positivo para a região da América Latina, mas ainda há um grande espaço de educação e conscientização da importância da análise de impactos, riscos e oportunidades”, diz Juliana.

Os representantes das empresas brasileiras que estão na A list (lista de empresas líderes) global do CDP, EcoRodovias e Braskem, acreditam que a metodologia do CDP é muito útil para o planejamento estratégico e financeiro dos negócios. “O CDP é uma ferramenta de gestão para nós, a partir do momento que a discussão é feita pela alta Direção da empresa, isso permeia por todos os funcionários. Na Ecorodovias, por exemplo, a redução na emissão de gases de efeito estufa está ligada à remuneração variável de todos”, diz Artaet Martins, assessor de Sustentabilidade da EcoRodovias. Já para a Braskem, “Pela plataforma do CDP, nós conseguimos identificar aqueles pontos em que estamos fortes e devemos manter na nossa estratégia, e até mesmo nossas fragilidades. Assim, conseguimos orientar nossa estratégia, evoluindo e tirando os gaps”, complementa Luiz Carlos Xavier, coordenador de Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

No último dia 21, o CDP realizou o webinar Capital Natural – o papel das empresas na economia sustentável (assista aqui), com a participação de Juliana Lopes, diretora do CDP para a América Latina, Carla Schuchmann, gerente dos programas liderados por Investidores do CDP, Vicente Manzione, da Gestão Origami, parceira na elaboração do relatório, além das duas empresas brasileiras classificadas como líderes pela metodologia do CDP, representadas por Artaet Martins, assessor de Sustentabilidade da EcoRodovias, e Luiz Carlos Xavier, coordenador de Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

Acesse o relatório (também em versão mobile) ‘Capital natural: transparência e gestão como estratégias de mitigação de riscos’.

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