Artigo | O futuro do agronegócio brasileiro com Trump

Por Valéria Vilela


A vocação para o agronegócio do Brasil mostra que o pais sob o comando de Donald Trump  é  o maior concorrente dos produtores rurais . É importante olhar  dados sobre  o Intercâmbio Comercial do Agronegócio (do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, (dados de  2013), apenas 5% de nossas exportações agrícolas vão para os EUA. A China participa com 24%, a União Europeia com 21% e diversos países com os demais 50%.

Em 2013, o Brasil exportou US$ 86,6 bilhões e importou US$ 12,5 bilhões. Resultou um saldo positivo de US$ 74,1 bilhões. A participação americana no saldo foi de 3,5% e da China de 26,5%.

Do total de importações (US$ 12,5 bilhões), os itens mais significativos foram: trigo (EUA, Argentina, Canadá); bebidas alcoólicas (África do Sul, Chile, Japão, União Europeia); pescados congelados (Chile, Marrocos, Tailândia, Taiwan, Vietnã); óleo de palma e dendê(Colômbia, Indonésia, Malásia).

Assim,  no Brasil  temos 90% do que vêm da Rússia são Waffles; 50% do Egito, algodão especial para roupas de cama; 60% da Índia, de óleos essenciais, algo que pode parecer estranho.

Contra o crescimento da produção e da produtividade da próxima safra, 2016,  conforme previsto por Conab e IBGE,  e como se justifica  a queda de 22% (defensivos) e 7% (fertilizantes químicos) em consumos e vendas?

Antes,  os produtores brasileiros  estavam usando e gastando mais do que o necessário? Sustentabilidade é a palavra do agro,  conscientização dos agricultores em reduzir custosas aplicações associando-as a produtos mais baratos, de extrações orgânicas e naturais. Mas a era Trump, vê essa estratégia como uma  ameaça a seus mercados.

O Brasil deve colher 210 milhões de toneladas de grãos, 1,3% a mais do que em 2015. Mesmo com toda a crise, a área plantada crescerá 1% e o valor bruto da produção está estimado em R$ 515,2 bilhões.

Uma das principais revistas do agronegócio brasileiro teve como manchete  “A corrida do milho: demanda explode e faz preço disparar”. Há 20 dias as cotações do mercado futuro, em Nova York e Chicago, para café, soja e milho, não param de subir.

 A vitória de Donald Trump está gerando preocupação no mercado global, especialmente em relação à falta de previsibilidade que investidores enxergam no perfil do republicano. O dólar à vista abriu com alta superior a 2% e saiu dos R$ 3,17 para R$3,24 na máxima da manhã . O ambiente de mais nervosismo pode afetar as commodities agrícolas negociadas no mercado futuro internacional, o mercado de câmbio e num futuro próximo há quem veja efeitos na dinâmica do comércio global.

Em consultas com economistas, analistas de mercado e especialistas os temas são os efeitos no mercado de câmbio com tendência de alta para o dólar frente ao real. Como será o mercado de câmbio com análises mais extremistas apontando que a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, pode abandonar o cargo em razão de diferenças com Trump. Além de mais aversão ao risco e demanda por dólares que são considerados ativos mais seguros

As commodities agrícolas que são consideradas ativos mais arriscados e podem sofrer fuga de capitais, ou seja perder investimentos. Tendo a dinâmica de comércio mundial com expectativa de que Trump seja mais protecionista, o que poderia afetar as negociações internacionais em mercados como a pecuária  brasileira que depois de anos voltou  a exportar carne in natura para os EUA.

Na cafeicultura o Brasil é um dos principais exportadores do produto para a maior economia do mundo, como serão os efeitos, retração nas compras de alta qualidade ficando a preferencia para os cafés de países que oferecem preços inferiores em qualidade e preço?

O republicano Donald Trump venceu graças a votação maciça que obteve nos estados do cinturão agrícola americano que já recebem incentivos e subsídios.

É preciso ser cauteloso no primeiro momento e audacioso no longo prazo, ir em busca de mercados ainda não explorados e que talvez até desconheçam os produtos agrícolas brasileiros.


Valéria Vilela é jornalista especializada no agronegócio com ênfase no mercado de café. 

1 Comment on "Artigo | O futuro do agronegócio brasileiro com Trump"

  1. Olá, parabéns pelo artigo!
    Conteúdo muito bom e de fácil entendimento!
    Grande abraço!
    Ps. Se precisar, conte conosco para dicas e informações sobre
    preço de grama em.
    Grama Esmeralda preço
    Grama Batatais preço
    Grama São Carlos preço
    Grama Bermudas preço
    Grama Santo Agostinho preço
    Grama Coreana preço

Faça um Comentário

Seu endereço de email não será mostrado.


*