Tom Jobim | Há 90 anos nascia um dos criadores da Bossa Nova

Um dos maiores nomes da música brasileira, Tom Jobim nascia há exatos 90 anos. O compositor carioca, morto em 1994, influenciou gerações e tem, até hoje, uma de suas músicas entre as mais reconhecidas e regravadas em todo o mundo: Garota de Ipanema, composta em 1962, acumula mais de 200 versões em diversos idiomas.

Patrimônio da MPB

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim tocava piano, violão e flauta transversal, e ao longo de sua carreira fez parcerias que se tornaram obras marcantes para a culltura do Brasil. Ao todo, são mais de 1500 canções. “Chega de Saudade”, composta em parceria com Vinicius de Moraes e executada por João Gilberto ao violão, é considerada o marco do início da Bossa Nova. Em sua homenagem, 25 de janeiro, data em que ele nasceu, tornou-se oficialmente o Dia da Bossa Nova para celebrar esse ritmo genuinamente brasileiro.

Relembre a vida e obra de Tom Jobim em alguns momentos e curiosidades marcantes:

O início

Assim como muitos artistas brasileiros, Tom Jobim iniciou sua carreira trabalhando como pianista em casas noturnas do Rio de Janeiro. O músico se revezava no palco com o amigo de infância Newton Mendonça, e foi dessa amizade que saiu a primeira gravação de Jobim: “Incerteza”, lançada em 1953. Mais tarde, a dupla compôs ainda grandes sucessos como “Desafinado” e “Samba de uma nota só”.

Tom Jobim e Vinicius de Morares

Tom Jobim e Vinicius de Morares (foto: A Música Segundo Tom Jobim/Divulgação)

Tom e Vinicius

Uma das maiores parcerias da Música Popular Brasileira (MPB) nasceu em 1956, quando Tom Jobim foi apresentado a Vinicius de Morais em frente à Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, em 25 de setembro, estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro o espetáculo “Orfeu da Conceição”, musicado por Vinicius a convite de Tom. Aquele seria apenas o primeiro trabalho da dupla.

Nascimento da Bossa Nova

Em 1958, a música “Chega de saudade”, composta por Tom Jobim em parceria com seu amigo Vinicius de Moraes, foi lançada por Elizeth Cardoso no disco “Canção do amor demais”. O álbum tem as faixas “Chega de saudade” e “Outra vez”, em que João Gilberto toca pela primeira vez, ao violão, a batida que foi caracterizada como a Bossa Nova.

Apesar de haver uma comparação entre a música de Tom Jobim e o jazz, o pesquisador e autor do livro Tons de Tom, Tárik de Souza, conta que o compositor, na verdade, não conhecia o ritmo que fazia sucesso no exterior. A influência, na verdade, vinha do que Jobim ouvia de Hollywood, em uma adaptação ao samba.

 

Tom Jobim

Tom Jobim(foto: Otto Stupakoff/wikimedia commons)

Vida no Leblon

Seguindo na contramão da vida notívaga que seus amigos de música cultivavam, Tom Jobim tinha o hábito de acordar cedo para compor. “O frescor da manhã para o Tom era muito importante”, lembra o violonista e compositor Roberto Menescal. Nessas manhãs, João Donato e João Gilberto faziam visitas a Jobim para pegar o violão emprestado e escutar suas mais recentes canções.

 

Garota de Ipanema

Inspirada em Heloisa Pinheiro, “Garota de Ipanema” está entre as cinco músicas mais executadas e gravadas em todo o mundo. Uma de suas versões, “The Girl from Ipanema”, gravada em 1963 por Astrud Gilberto ao lado de João Gilberto, Stan Getz e do próprio compositor, foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano.

Família de músicos

Tom Jobim se casou duas vezes e a herança musical se transmitiu entre as gerações. Seu primeiro filho, Paulo Jobim, nasceu em 1950 e se tornou músico. Sua primeira filha, Elizabeth Jobim, tornou-se artista plástica, mas participou do coro feminino da Banda Nova, grupo que acompanhou o músico nos últimos anos de sua carreira. A segunda esposa de Tom, a fotógrafa Ana Beatriz Lontra, também integrou o elenco da Banda Nova.

O primeiro neto do compositor, Daniel Jobim, nasceu em 1973 e também seguiu a carreira musical: após a morte do avô, formou com o pai, Paulo, e Jaques e Paula Morelenbaum, o quarteto Jobim-Morelenbaum.

Tom Jobim ao piano

Tom Jobim ao piano (foto: A Música Segundo TomJobim/ Divulgação)

 

Águas de março

O dueto que Tom Jobim fez com Elis Regina ao gravar “Águas de março” deu início a uma segunda fase na carreira do músico, que em 1972 passava por um momento de calmaria na carreira, após o fim da febre da Bossa Nova. A música surgiu durante um período de isolamento na Região Serrana do Rio de Janeiro e, a partir dali, segundo o pesquisador Tárik de Souza, Jobim se lançou a uma experimentação em que se voltava não mais para as praias do Rio, mas para o interior do país.

Reconhecimentos

Foram muitos os prêmios recebidos por Tom Jobim no Brasil e no cenário internacional da música. Em 1985, Jobim se apresentou ao lado de João Gilberto na abertura do Festival de Montreux, na Suíça, e ganhou no mesmo ano o título de “Grand Commandeur da Ordre des Arts et des Lettres”, concedido pelo Ministério da Cultura francês.

Em 1990, Tom Jobim se tornou membro da Academia Nacional de Música Popular Americana. O compositor foi também nomeado reitor e, depois, presidente do Conselho Diretor da Universidade Livre de Música, em São Paulo, e Doutor Honoris-causa pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – título que também recebeu, mais tarde, da Universidade de Lisboa.

Patrimônio

A preocupação ambiental de Tom Jobim levou à criação, em maio de 2001, do Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. No espaço, há uma sala multimídia onde estão preservados e expostos documentos, objetos pessoais, fotografias e livros que podem ser consultados pelo público. O site do instituto também oferece um acervo digital; com fotos, parituras, áudios e vídeos do compositor, familiares e amigos.

TV Brasil

Relembre a vida e obra de Tom Jobim no programa “De Cá Pra Lá”, da TV Brasil, produzido em 2009. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, tem entrevistas com Wanda Sá, Antonio Carlos Miguel, Paulo Jobim, Marcelo Serrado e Miúcha.

 

Texto e implementação: Ana Elisa Santana, da Agência Brasil
Conteúdo: Ana Elisa Santana, da Agência Brasil, Nana Possa, da Radiagência Nacional e Priscila Crispi, da Rádio Nacional FM
Edição: Amanda Cieglinski
Coordenação: Noelle Oliveira


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