Estado recebe mais vacinas e reforça monitoramento da febre amarela

A Campanha de Multivacinação 2016 começa nesta segunda-feira (19) e vai até o dia 30 com o objetivo de resgatar não vacinados ou completar esquemas de imunização. São 14 tipos de vacinas que fazem parte do esquema vacinal de crianças menores de 5 anos e entre 9 de 14 anos. No Paraná, serão mais de 2 mil salas de vacina em funcionamento. Foto: Venilton Küchler/SESA

O Governo do Paraná solicitou nesta semana o envio de doses extras da vacina contra a febre amarela, fornecida pelo Ministério da Saúde. O primeiro lote, com 60 mil doses, já chegou ao Estado e será distribuído aos municípios. O objetivo é atender ao aumento na procura pela vacina ofertada na rede pública.

O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, também determinou o reforço nas ações de monitoramento da doença no Paraná. A medida foi tomada por conta da suspeita de um surto de febre amarela em áreas rurais de alguns estados, como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Desde o início do ano, 421 casos silvestres já foram notificados suspeitos no país, com 40 mortes confirmadas.

“O momento é de alerta, mas a situação está sob controle. Até agora, não há relatos de casos suspeitos no Paraná”, tranquilizou o secretário. Segundo ele, a ideia é intensificar o trabalho de prevenção. “É de suma importância imunizar moradores e pessoas que irão viajar para áreas de risco. Desta forma, podemos nos proteger e evitar a reintrodução da febre amarela no Estado”, disse.

RURAL – Caputo Neto ressaltou ainda que os casos registrados em Minas Gerais e demais estados estão restritos à área rural. Desde 1942, não há registros de casos urbanos no Brasil. “O cuidado deve ser redobrado para aquelas pessoas que vivem ou circulam em localidades próximas a rios e mata. A orientação é que elas se imunizem pelo menos 10 dias antes da viagem”, explicou.

UNIDADES DE SAÚDE – A vacina está disponível nas unidades de saúde e faz parte do calendário básico das crianças em todo o Estado. A primeira dose deve ser aplicada aos nove meses de idade e a segunda, de reforço, aos 4 anos. Apesar disso, ela pode ser tomada a qualquer momento até os 60 anos. Após essa faixa etária, somente com indicação médica.

De acordo com a superintendente de Vigilância em Saúde, Cleide de Oliveira, historicamente o Paraná vem mantendo boas coberturas vacinais em relação à febre amarela. “Atingimos sempre algo em torno de 70% a 80% do público-alvo do Estado. Isso faz com que uma grande parcela de paranaenses já estejam imunes a esta grave doença”, afirmou.

ESTOQUE – A Secretaria de Estado da Saúde conta hoje com um estoque estratégico de 145 mil vacinas contra a febre amarela. O volume não leva em conta as doses já disponíveis nas unidades de saúde e estoques dos municípios. “Em nenhum momento tivemos problemas de falta de vacina. Contudo, já esperando um aumento na demanda, solicitamos ao Ministério da Saúde mais 190 mil doses para suprir a necessidade do Estado”, informou Cleide.

Perguntas e respostas sobre febre amarela

Com os surtos de febre amarela em outras regiões do país, a Secretaria estadual da Saúde esclarece dúvidas e reforça as orientações para proteger a população paranaense e evitar que o problema se repita no Estado.

Em que regiões o risco de pegar febre amarela é maior?

No Brasil, o risco é maior em regiões de matas e rios em todos os estados da região norte (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e região centro-oeste (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal).

Também há risco em alguns estados da região nordeste (Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste e extremo-sul da Bahia), região sudoeste (Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo) e região sul (oeste dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

 

Na América Latina, os países de risco e que já tiveram casos confirmados são Colômbia e Peru.

 

Como se proteger?

 

Quem vai viajar para algumas dessas regiões é recomendado se vacinar contra a febre amarela 10 dias antes da viagem para garantir um passeio mais tranquilo. A recomendação é válida para quem nunca foi vacinado ou o fez há mais de 10 anos. Quem mora em locais de risco também deve ser imunizado.

Outras medidas também podem evitar a doença, como usar calças e camisas que cubram a maior parte do corpo; aplicar repelente e reaplicar sempre que molhar o corpo ou entrar na água; e usar mosquiteiro quando dormir em áreas de risco.

 

Onde tomar a vacina?

 

A vacina é disponibilizada gratuitamente em Unidades de Saúde em todos os municípios do Paraná. Ao ser vacinada, a pessoa recebe um comprovante de vacinação válido em todo o território nacional. Esse documento deve ser levado na viagem.

Algumas áreas internacionais também exigem a vacinação e o Certificado Internacional de Vacinação (CIV), fornecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode ser acessada pelo link: http://who.int/ith/ITH_country_list.pdf (em inglês). O Brasil não exige o CIV para entrada no país.

 

Quais são os sintomas da doença?

No início, a febre amarela tem sintomas semelhantes aos de uma gripe, mas a atenção deve ser maior quando associados ao deslocamento para locais de risco. Ao apresentar febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômitos ou dores no corpo é necessário procurar atendimento médico imediatamente e informar sobre a viagem.

A maioria das pessoas melhora após os sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. Nesses casos, os sintomas são febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e nos olhos), hemorragia (especialmente do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.

 

Como é feito o diagnóstico?

Como os sintomas da febre amarela são muito parecidos com os da dengue e da malária, o diagnóstico preciso é realizado apenas por exames laboratoriais específicos.

 

Como funciona o tratamento?

O doente precisa de suporte hospitalar para evitar que o quadro evolua com maior gravidade. Não existem medicamentos específicos para combater a doença. Basicamente, o tratamento consiste em hidratação e uso de antitérmicos que não contenham ácido acetilsalisílico, como AAS e Aspirina, que podem favorecer o aparecimento de hemorragias.

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