Artigo | Cana é água

Por Daniel Pedroso 


O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo, produzindo mais de 20% do açúcar consumido mundialmente e exporta metade de toda a matéria consumida globalmente. Por mais que 2016 tenha sido um ano de muitas complicações, tais empecilhos não influenciaram na produção açucareira nacional. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá encerrar o ano tendo exportado cerca de 27.120 mil toneladas, estimando-se um crescimento de 11,35%.

Por mais que os números sejam animadores, a cana tem potencial genético para produzir aproximadamente 50 toneladas de açúcar por hectare somando 1.000 sacos, mas infelizmente a média nacional é de 09 toneladas na mesma área, totalizando 180 sacos. Este número representa menos de 20% do potencial genético da planta.

A cana é composta por ¾ de líquidos. O restante são as matérias primas utilizadas pela usina. Cana é água. Sendo assim, o déficit hídrico é um dos maiores responsáveis no que diz respeito à impedância do canavial em alcançar altos rendimentos. Tal cenário fez com que o mercado projetasse estratégias para atingir níveis de rendimento mais adequados, principalmente em regiões em que o fornecimento de água é mais restrito.

Visando ajudar no aumento da produtividade, a Netafim desafiou o mercado e foi pioneira no desenvolvimento da irrigação por gotejamento para a cultura. A primeira do mundo em irrigação subterrânea em todo o mundo. Esta prática, além de sustentável, garante que os produtores que adotam essa medida tenham o rendimento anual de sua lavoura duplicado ou até mesmo triplicado.

Exemplificando esses dados, imagine uma usina que decida instalar um projeto de gotejamento em dois mil hectares e que a produtividade de cada um deles chegue a 115 toneladas. O aumento da moagem alcançará 60 mil toneladas de cana por safra e a área de replantio anual terá uma redução de 800 hectares.

Somados, todos os benefícios do gotejamento totalizam, entre a redução e o aumento de produção, no período de 10 anos, um ganho de R$ 50.000.000 no fluxo de caixa da usina. Isso começa ocorrer a partir do terceiro ano de operação.

Inovar no campo é nossa missão. Por este motivo, oferecer uma solução capaz de evitar desperdícios de recursos naturais e escassos é essencial. No cenário em que a sustentabilidade é a palavra de ordem, o gotejamento é capaz de produzir mais com menos, atendendo as necessidades da planta e do planeta. Avante, produtor, juntos podemos fazer sempre mais.


Daniel Pedroso é engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP; coordenador agronômico e especialista em cana de açúcar da Netafim.


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