Instituto Biológico desenvolve nova vacina contra febre aftosa

A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa que ataca todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos

Produto será usado apenas em casos de emergência sanitária, posterior a conquista de um Brasil livre da doença sem vacinação

O Brasil caminha para a conquista de ser livre da febre aftosa sem vacinação nos próximos anos. Por enquanto, Santa Catarina é o único Estado brasileiro reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como zona livre da doença, sem vacinação, desde 2007.

Para garantir a manutenção dessa condição, o Instituto Biológico (IB) começou a desenvolver uma vacina para uso emergencial no futuro, possibilitando uma resposta imunológica rápida com o objetivo de conter focos em caso de reintrodução do vírus em áreas livres sem vacinação.

O primeiro projeto para uma das etapas de desenvolvimento da vacina aconteceu em 21 de janeiro passado na Sede do IB, em São Paulo, durante o workshop “Febre Aftosa, Língua Azul, Influenza Suína e Peste dos Pequenos Ruminantes”, que reuniu instituições de pesquisa brasileiras, laboratórios de referência internacional, indústria produtora de vacinas e profissionais do Ministério de Agricultura e Abastecimento – MAPA.

No evento foram debatidos e alinhados os projetos e ações para o desenvolvimento do produto. “Nossa meta é ter a vacina em 10 anos. O mecanismo de ação dela é diferente da vacina usada atualmente, pois será aplicada apenas quando houver focos da doença, por isso, precisa de uma ação muito mais rápida para contenção de focos em casos de emergência sanitária”, explica Edviges Maristela Pituco, pesquisadora do IB.

As estratégias foram discutidas por 40 profissionais, sendo nove deles pesquisadores do Instituto Pirbright, do Reino Unido, um do Centro Panamericano de Fiebre Aftosa (Panaftosa), cinco do MAPA, da área de epidemiologia e de laboratório, cinco médicos veterinários da indústria de vacinas e pesquisadores do IB e das unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Professores universitários e pós-graduandos da Universidade de São Paulo (USP) e da Pós-Graduação do IB participaram como ouvintes.

Após o workshop, os pesquisadores brasileiros e britânicos do Instituto Pirbright finalizaram o projeto bilateral Dissecting the Immune Response of Cattle to FMD Vaccination in the Field, submetido no final de janeiro à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no programa Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC).

A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa que ataca todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Com o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), o Brasil busca ser livre da doença, usando como estratégia principal a implantação progressiva e manutenção de zonas livres da doença, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Língua azul e outras doenças

Os participantes do workshop também discutiram a doença língua azul, influenza suína e pestes em pequenos ruminantes. Pituco explica que a língua azul, por exemplo, é uma doença endêmica no Brasil e ainda com poucas informações sobre seus impactos no País.

A expectativa é que eventos como esse sejam realizados anualmente. “É muito importante essa reunião para estreitarmos os laços entre as instituições e discutirmos os rumos dos projetos e trabalharmos de forma alinhada”, diz Pituco.

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