Produtores do Sudoeste do estado investem no plantio de maracujá

Ao final do próximo ciclo produtivo, a expectativa é que tenham sido colhidas e comercializadas em torno de 1.750 toneladas da fruta

Com auxílio da Emater-MG, agricultores diversificam atividade e comercializam toda a produção de maracujá industrial para empresa na região

Popularmente conhecida como a fruta da tranquilidade, o maracujá faz sucesso no Brasil, que é o maior produtor e consumidor da fruta. De olho em seu potencial econômico, produtores rurais do Sudoeste do estado diversificam suas atividades e investem no plantio do maracujá industrial, garantindo renda extra para suas famílias.

Em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Expansão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), a Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos S/A (EBBA) está fechando contrato com os produtores da região para a compra da fruta. Hoje, já são seis municípios e 45 produtores envolvidos no projeto.

O objetivo da parceria, além de garantir a compra da produção e estimular a diversificação das culturas na região, é ensinar aos produtores as boas práticas no plantio do maracujá industrial, que, diferentemente das frutas encontradas no mercado, não possui um padrão estético, mas tem melhor produção de suco e maior resistência às pragas e doenças.

Produtores dos municípios de Alpinópolis, Cássia, Fortaleza de Minas, Guapé e Passos, no território Sudoeste, além de Ilicínea, no território Sul, fazem parte do projeto. “A iniciativa tem dado um retorno tão interessante que estamos em processo de compra das mudas para a entrada de Capitólio e Piumhi no projeto também”, conta o gerente regional da Emater de Passos, Frederico Ozanam.

“O maracujá industrial tem pouca casca e muita polpa, produzindo de 60 a 70% a mais de suco do que o maracujá de mesa. Ele passou por melhoramento genético justamente para atender a indústria”, diz.

Além de buscar produtores interessados, a Emater oferece a eles assistência técnica, com acompanhamento in loco do plantio e da colheita, além de fazer a ponte entre os agricultores e a EBBA. “Quem entra no projeto assina contrato com a empresa e já se torna fornecedor, então tem garantia de venda da produção”, afirma Ozanam.

Ao final do próximo ciclo produtivo, a expectativa é que tenham sido colhidos e comercializados em torno de 1.750 toneladas da fruta. O maracujá industrial produz, em média, durante sete a oito meses, com colheitas semanais. A muda utilizada pelos agricultores é fornecida por um viveiro que fica na cidade de Araguari, e é vendida a um preço menor, por meio de convênio firmado com a Emater.

O engenheiro agrônomo e supervisor de compras da EBBA, Hércules Oliveira, conta que a empresa procura agricultores em um raio de até 400km da fábrica, que fica em Araguari, para fornecer a fruta, utilizada na produção de sucos industriais.

“A Emater se tornou um parceiro muito importante, porque mobiliza os produtores interessados e garante a nós um produto de qualidade e no volume que precisamos. Assim, temos garantia de abastecimento, com qualidade e diferencial de preço”, enfatiza.

Além da assistência técnica oferecida pela Emater e também pela EBBA, a empresa facilita a logística para o produtor, já que disponibiliza o transporte para colher as frutas, sem ônus. “Outro diferencial é que o produtor já sabe quanto receberá pelo volume produzido, já que é acertado, em contrato, um valor mínimo. Este valor pode aumentar em função da produtividade por área e da qualidade do maracujá”, destaca Oliveira.

Diversificação de culturas

Morador de Alpinópolis, Mateus de Oliveira Borges, 34 anos, entrou no projeto há um ano. Ele dedica meio hectare da sua propriedade, onde trabalha com café, ao plantio da fruta. “Tive assistência técnica da Emater de Passos, que me ensinou tudo relativo ao plantio. Em dezembro fiz minha primeira colheita, que se encerra em julho”, relata.

Um dos principais objetivos do projeto é diversificar as culturas na região, que produz prioritariamente leite e café. “Essa diversificação é uma alternativa para amenizar os efeitos da crise, que também afeta o agronegócio. A fruticultura é uma opção altamente viável, principalmente na nossa região, que tem uma condição climática favorável para a atividade, para ajudar o produtor a ter outra fonte de renda e ainda aproveitar melhor a terra”, afirma Frederico Ozanam.

No caso de Mateus, a atividade também virou uma ocupação para os pais. “Trabalho há quinze anos com café, agora meu pai e minha mãe estão me ajudando com o maracujá, que tem um manejo até bem tranquilo. A venda da produção está complementando bem a nossa renda, tanto que pretendo dobrar a área plantada no próximo ano”, finaliza.

Manejo do maracujá

Como toda cultura, o maracujá industrial exige técnica para o plantio com qualidade. Desde o preparo do solo até a colheita, o produtor deve estar atento a alguns cuidados. Veja na arte abaixo:

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