Entrevista | “Brasília vai se transformar brevemente na terra da oportunidade no setor privado”

Valdir Oliveira, diretor Superintendente do Sebrae no DF: "Nós não aguentamos mais desencontros, a economia não agenta mais, ela está em uma situação em que precisa muito de harmonia e união" (Foto Tripé Fotografia)

Em entrevista ao portal NBN Brasil, o superintendente do Sebrae no DF, Antonio Valdir de Oliveira Filho, afirma que é preciso avisar aos jovens que a alternativa é o setor privado. Afirma, ainda, que o setor público está falido, esgotado e não consegue mais gerar oportunidade. Valdir também faz uma análise do cenário e acredita que 2017 tende a ser o ano da virada, mas que é preciso a união e a harmonia de todos para que o DF saia da crise


O Distrito Federal hoje, como o Brasil, vive numa crise. A saída para essa situação está no empreendedorismo?

Com certeza. Empreender é alternativa para sair da crise. Principalmente no Distrito Federal, que tem uma grande dependência do setor público e porque nós temos visto que o setor público está falido. As condições hoje são muito diferentes do passado quando Brasília foi conhecida como a terra da oportunidade, do concurso público. Nós temos hoje uma economia forte, uma massa salarial diferenciada que tem condições de consumo e temos que mostrar para os nossos jovens que alternativa é o setor privado, onde gera emprego e renda e as oportunidade não tem limites.

E qual a contribuição que Sebrae pode dar nesse cenário?

O cenário de hoje, e principalmente para um futuro de muitos anos pela frente, é empreender. Empreender para enfrentar as sair da crise. O empreendedor pode procurar o Sebrae nos pontos físicos, no nosso portal onde encontra alternativas, na central de atendimento, no nosso atendimento móvel, são muitas oportunidades. O importante é ele se preparar para tomar essa decisão visando mudar de vida.

O que é importante para um negócio dar certo?

Duas coisas são muito importantes para que um negócio dar certo. Primeiro que o empreendedor se identifique como vocação. Um pergunta que sempre me fazem desde que assumi o Sebrae é o que está dando certo no Distrito Federal. Se eu soubesse eu não estava aqui, já tinha ido e estava rico. Cada negócio foi feita uma pessoa e cada pessoa foi feita para um negócio. Ele precisa se identificar. Você não imagina alguém que não gosta de animal montando uma pet shop, porque o pequeno empreendedor é quem faz tudo, é quem produz, quem vende, então ele precisa ter identidade com a vocação. A vocação dele tem que ter identidade com o negócio que ele escolheu.

Qual o segundo ponto?

Segundo é conhecer o mercado que está se inserindo. E ai é importante a ajuda do Sebrae. Nós trabalhamos com pesquisas de informação, consultoria, capacitação, que são suas intervenções, no empreendedor e na empresa. E ainda na promoção comercial, ajudando esse empreendedor a realizar o seu negócio. Nossa entrada de preparação precisa ser num processo de cumplicidade na tomada de decisão dele. E essa tomada de decisão é muito pessoal. Você não imagina que vai indicar a melhor namorada para o seu amigo. Quem tem que escolher a melhor namorada é ele, que melhor lhe agrade. Negócio é a mesma coisa. Essa decisão deve ser do empreendedor. Se ele acreditar na ideia dele, não tenha dúvida, o Sebrae também vai acreditar.

Valdir Oliveira, diretor Superintendente do Sebrae no DF (Foto Tripé Fotografia)

Quanto maior a crise, maior é o número de pessoas que busca empreender e as vezes o investimentos é um FGTS, uma rescisão trabalhista. O Sebrae sozinho tem condições de dar esse apoio para a grande procura?

É preciso de muitas parcerias para atuar. Se você vai sozinho não consegue fazer nada. Nós temos uma parceria importante com o setor produtivo, com as federações do comércio, da indústria, da agricultura. Com o governo onde temos muitas parcerias para que a gente possa dar todo o suporte necessário ao empreendedor. Essa construção precisa ser coletiva, principalmente com ajuda do próprio empreendedor. Nós temos ultimamente um crescimento muito grande do empreendedorismo por necessidade. Isso é o movimento natural da crise. Pessoas perdem emprego, nós temos um número de desempregados muito grande no Distrito Federal e eles tentam buscar a sobrevivência através de alternativas de empreender.

Qual o risco do empreendedorismo por necessidade?

O empreendedorismo por necessidade tem um risco maior, porque ele não é trabalhado sua oportunidade, a sua vocação, e portanto o empreendedor precisa se preocupar ainda mais. E, no momento de crise, mais ainda. Entender o movimento da crise, saber onde a crise está impactando, isso é muito importante para que ele possa dar o passo certo.

Que se pode esperar de ações do governo?

Temos um grande movimento e parceria para dar a esse empreendedor a oportunidade dele mudar de vida. O Governo do Distrito Federal tem feito esforço, o setor produto tem feito um esforço, mas eu repito que três coisas são importantes pra que a gente possa ter uma ação grande do governo. O governo precisa trabalhar a desburocratização que é muito importante a gente ter um ambiente legal, favorável, para as nossas micro e pequenas empresas, e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem caminhado muito para desburocratizar a abertura, licenciamento e baixa de empresas. O governo precisa trabalhar a questão da prioridade nas compras governamentais de micros e pequenas empresas. A lei já dá essa prioridade, mas é preciso que isso seja reforçado. Ao diluir as compras governamentais para as micro e pequenas empresas seguramente democratiza essa oportunidade de compra. O terceiro ponto é o crédito de fomento. Esse tem sido o nosso apelo ao Governo do Distrito Federal para que se tenha um crédito de fomento direcionado para as micro e pequenas empresas.

E o Fundo do Centro Oeste não faz esse papel de fomento?

O FCO não está conseguindo atender na sua totalidade. Banco do Brasil tem feito um grande esforço de desburocratizar, faz o que pode, mas a gente sente que ainda não tem conseguido atender principalmente os menores. Tivemos um crescimento de microempreendedores individuais de mais de 100 mil mês formalizados no Distrito Federal.

O que representa isso na economia do DF?

São importantes geradores de emprego. Se a gente não alavancar esse microempreendedores individuais, vamos perder uma grande oportunidade do fomento a economia. Nós trouxemos essas pessoas da informalidade para a formalidade, e nós precisamos dar a elas um tratamento diferenciado para que tenham condições, como diz o presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, do seu crescimento sustentado. Mas só vão conseguir se tiver a prioridade necessária para se estabelecer. Por isso que é importante o crédito de fomento. Nosso apelo tem sido para que a nossa agência de desenvolvimento, a Terracap, e o Banco de Brasília, possa se juntar nessa luta para conseguirmos alavancar essas oportunidades.

É correto falar que Brasilia está deixando de ser a cidade do serviço público para ser a terra do empreendedorismo?

O cenário está levando a isso. Se nós olharmos nos últimos dois anos, a queda do número de oportunidade por concurso público foi muito grande. As notícias que nós temos é de uma dificuldade com relação as questões fiscais, as contas públicas, com relação ao pagamento de salário, aumento de salários do funcionalismo, isso vai levar seguramente ao estado repensar o seu tamanho. E, nos últimos dois anos, o que temos de concreto é uma redução drástica das oportunidades de concurso público. Precisamos avisar aos nossos jovens que a alternativa para eles é o setor privado. O setor privado não tem limitação, o limite é a sua capacidade, o seu potencial de ganho para gerar riquezas. O setor público hoje está parado, esgotado, e não consegue mais gerar oportunidades. Você tem pontualmente oportunidades e nós temos milhares e milhares de jovens que estamos colocando na economia anualmente e que precisar ter essa alternativa. Brasília vai se transformar brevemente na terra da oportunidade no setor privado.

A parceria entre governo e Sebrae existe, ou apenas um dos lados age efetivamente?

Parceria não tem uma mão única. Ela só existe na sua concepção quando é mão dupla. Então digo que nós somos parceiros. O Sebrae é um parceiro do governo; o governo é um parceiro do Sebrae. O Sebrae é um parceiro do setor produtivo; o setor produtivo é um parceiro do Sebrae. O desenvolvimento do Distrito Federal só vai conseguir se implementar se nós tivermos sucessos nessas parcerias. Se todos derem as mãos. O momento agora é de união harmonia. Nós não aguentamos mais desencontros, a economia não agenta mais, ela está em uma situação em que precisa muito de harmonia e união. Nós todos temos que nos juntar para tirar o Distrito Federal da crise e dar uma condição melhor parea as próximas gerações. E, certamente, o desencontro não vai ajudar nisso. Nós temos pregado no Sebrae isso, harmonia em tudo, harmonia política, harmonia econômica. A nossa economia seguramente não suportará mais desencontros.

A crise no DF ainda vai perdurar por muito tempo?

É muito difícil a gente conseguir estimar isso. Alguns indicadores mostram que 2017 tende a ser o ano da virada. Nós teremos um primeiro semestre com reflexo do ano de 2016, ainda muito difícil. E um segundo semestre de retomada. Não se concebe um desaceleração da forma como tem vindo por anos seguidos. O indice de confiança dos empresários e alguns indicadores estão nos mostrando que estamos nos preparando para um novo ambiente. E vamos apostar nisso. A nossa crise econômica seguramente tem muita consequência de crises políticas. Se houver equilíbrio no ambiente político, acredito isso vai se refletir no ambiente econômico. O ambiente político não esta na nossa alçada. Então só nos cabe torcer para que esse equilíbrio nos dê condições de gerar emprego e renda. E possibilitar esperança para as próximas gerações.

Qual o melhor caminho, empreender hoje ou que esperar a crise passar?

Empreender hoje. O ousado seguramente vai sair na frente e ter grandes conquistas. As oportunidade são assim. O risco tem que ser calculado, mas é o ousado que vai vencer. Quem se preparar já, e sair na frente, seguramente quando nós estivermos numa mudança real nessa tendência da economia, esse que já saiu vai estar muito melhor estabelecido e terá uma condição diferenciada com aqueles que ainda vão entrar no mercado. Mas tem que ter cuidado para entrar da forma certa. Se o empreendedor não se preparar de forma adequada, der uma passo errado, também tende ao insucesso. Procure o Sebrae. O Sebrae é o caminho. Temos aqui o orgulho e a alegria de ter na nossa missão ser cúmplice da realização de sonhos das pessoas. Quem tem um sonho, tem que realiza-lo. A gente tem que se arrepender das coisas que fez, e nunca das que não fez.

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