Bloco Pacotão critica racionamento de água no Distrito Federal

(foto Valter Campanato/Agência Brasil)


Com 39 anos de existência e conhecido nacionalmente por suas sátiras políticas, o Pacotão, bloco de Carnaval mais tradicional de Brasília, continua extraindo do noticiário material fértil para animar os foliões que desde 1978 o seguem pela contramão da W3, uma das principais avenidas da capital federal. O bloco saiu da concentração, na 302 Norte, por volta das 16h30.

Um ano após esconjurar a corrupção com a marchinha Suruba no Alto Escalão, os carnavalescos se voltaram para uma preocupação mundial que, nos últimos meses, tornou-se um problema local: o risco da falta d’água no Distrito Federal.

A música Banho Tcheco foi escolhida em meio à queda no nível dos reservatórios d’água brasilienses que obrigou o governo do Distrito Federal (GDF) a implementar o racionamento em sistema de rodízio. Em vigor desde janeiro em parte do DF, a medida afetará outras regiões, como o Plano Piloto, a partir de segunda-feira (27).

“É banho de bacia / Tcheco, Tcheco, Tcheco / Falta água noite e dia / Tcheco, Tcheco, Tcheco / O Pacotão que vai falar / A falta de gestão faz o DF afundar”, acusa parte da letra composta por Antonio Jorge Sales, Antonio Carlos Sales, Thayane Sales e Hadassa Dolbeth Sales e escolhida entre dezenas de inscritas.

“O Pacotão atrai velhos com seus netos e bisnetos, jovens, tem macumbeiro, feiticeiro, católico, evangélico, espírita e até um judeu preto, que sou eu. É um bloco ‘sujo’, mas familiar”, comenta um dos fundadores do bloco, o jornalista Cícero Lopes, elogiando o caráter “ecumênico” do Pacotão.

“Em quase quatro décadas, nos firmamos como um bloco de foliões, autêntico, brasiliense. Para mim, o Carnaval de Brasília ainda é o Pacotão, onde não há uma briga”, acrescenta o jornalista. Para Cícero, a crise econômica favorece que mais pessoas permaneçam na cidade e prestigiem os festejos locais, que nos últimos anos vem crescendo e se profissionalizando, com alguns blocos arrastando centenas de milhares de foliões.

Sátira e bom humor

Acostumada com o carnaval do Rio de Janeiro, a professora Vania Cabral do Santos destaca o crescimento do número de blocos brasilienses nos últimos anos. “Os últimos quatro anos, eu passei no Rio de Janeiro. Este ano, optei por ficar em Brasília para conhecer e por ver que o número de blocos vem aumentando. Gostei do bloco a que fui ontem [Babydoll de Nylon, que reuniu 160 mil pessoas, segundo a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social]”, comenta a professora, em sua primeira vez no Pacotão.

Apesar da chuva que caía na capital federal, Vania não se sentiu desestimulada. Para a professora, o humor aliado à sátira política é o diferencial do bloco. “Acho boa esta irreverência do bloco. Assim a gente brinca, se alegra, mas sem deixar de lado a parte política, a realidade nacional”, comenta.

O empresário Ricardo Araújo entrou no clima de criticar com bom humor a política brasileira, tendo se fantasiado de político preso aproveitando o indulto de carnaval. “Decidi aproveitar no Pacotão porque acho um bloco adequado ao momento que o país atravessa. Na companhia da minha escolta policial [parentes e amigos], decidi vir participar, dar minha contribuição para a alegria do Carnaval, uma grande brincadeira”, diz.

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