Método inovador em detecção de processos erosivos e de movimentação de terreno


Nova técnica validada pelo IPT alcança eficiência de 83% na detecção de movimento de terras em barragem em Rondônia

 

Pesquisadores da Seção de Recursos Minerais e Tecnologia Cerâmica e da Seção de Geotecnia do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) participaram da validação de uma metodologia inovadora destinada à identificação de processos erosivos e de movimentação de terreno às margens do Rio Madeira, área de influência da barragem Santo Antônio, em Rondônia. Denominada Interferometria Diferencial por Radar (DInSAR), a técnica apresentou eficiência de 83% na detecção de movimentos da superfície.

O trabalho foi financiado com recursos da Santo Antônio Energia, sob a coordenação do pesquisador Carlos Tadeu de Carvalho Gamba, e contou com a participação da Bradar Indústria, desenvolvedora de um radar de abertura sintética na banda P.

O trabalho consistiu em aplicar técnicas reconhecidamente confiáveis de estacamento
para avaliar a consistência de acertos e a precisão dos dados fornecidos a partir dos dados do radar. Estas imagens são coletadas a fim de identificar a movimentação dos terrenos próximos ao rio ou sob a influência do barramento da UHE Santo Antônio, no município de Porto Velho, bem como os processos erosivos que podem acontecer em decorrência dos processos naturais ou provocados pela barragem.

Para realizar a tarefa, os pesquisadores selecionaram 20 áreas em um trecho de 240 km de rio e instalaram 101 pontos de medição ao longo da borda do canal fluvial, montando um sistema de estacamentos a partir da margem do rio até o interior. A partir das estacas instaladas mais distantes do rio foi possível medir o quanto aquelas, mais próximas às margens, moveram-se.

“Não temos conhecimento de outro trabalho que faça essa medição da superfície com interferometria diferencial na banda P. É um trabalho de vanguarda, inédito no Brasil e, talvez, no mundo”, afirma Gamba. Além de representar uma opção para monitoramentos da superfície do terreno, esta técnica por radar ainda apresenta a vantagem de cobrir áreas mais extensas com menos esforço.

A metodologia usada pelo IPT para validar a atividade do radar havia sido utilizada nas margens do Rio Paraná, mas aplicá-la na região do Rio Madeira traz um outro aspecto inovador, já que “a realidade ambiental do Rio Madeira é bem diferente da realidade ambiental do Paraná e suas margens”, diz o pesquisador.

“A experiência em Rondônia, em um ambiente amazônico onde as planícies fluviais são muito mais amplas do que no sudeste do País, significa aprimorar o conhecimento e as práticas de monitoramento específicas executadas pelo Instituto, o que pode favorecer a realização de trabalhos futuros semelhantes”, encerra Gamba.

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