Delegacia de Descoberta de Paradeiros soluciona mais de 90% dos casos


A Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) amplia seu trabalho e já oferece, através de uma parceria com a Cruz Vermelha, apoio psicológico a famílias de pessoas desaparecidas. Em 2016, a unidade especializada conseguiu obter mais de 90% de sucesso em seus trabalhos, conforme a faixa etária, no município do Rio de Janeiro. Do total de 2.618 ocorrências registradas, 2.208 foram solucionadas. Outros 410 casos estão em andamento. Para solução dos casos, a delegacia atua em parceria com órgãos de saúde e assistência social.

A parceria com a Cruz Vermelha para o apoio psicológico a famílias de pessoas desaparecidas teve início em janeiro deste ano. Segundo a delegada Elen Souto, esse acompanhamento é muito importante no trabalho, pois o desaparecimento é uma ocorrência que fragiliza bastante os familiares.
A delegada explica que as parcerias com órgãos de saúde deram nova dinâmica à questão de desaparecidos.

– Em alguns casos já se consegue avisar aos familiares sobre o paradeiro de um ente antes de ser efetuada a ocorrência. Quando um paciente entra em uma unidade médica desorientado, os assistentes sociais da unidade fazem contato com a especializada, que atua para localizar a família ou origem desta pessoa. Além do benefício imediato, ainda se obtém a redução de ocorrências de desaparecidos – ressaltou a delegada.

Uma medida que deve ajudar bastante na elucidação de casos de pessoas desaparecidas é a implantação do Documento de Identificação Nacional (DIN). Com ele, o país passará a ter uma base única de identificação do cidadão. Atualmente, cada unidade da federação possui seu próprio banco de dados. Assim, identificar um cidadão acidentado, por exemplo, é muito mais difícil. Com a identidade única, solucionar ocorrências com turistas ou pessoas registradas em outros estados será mais fácil. O projeto, já aprovado, aguarda sanção presidencial.

Para Elen Souto, portar alguma identificação pode ser fundamental na solução de casos. Ela lembra que pessoas dentro de perfis mais vulneráveis, como crianças, idosos ou pessoas com algum tipo de transtorno mental, devem sempre carregar um cordão ou pulseira, com nome completo e número de identidade. Apenas com esses dados, a delegacia especializada já consegue realizar seu trabalho. No entanto, incluir outras informações pode tornar o indivíduo alvo de pessoas mal-intencionadas. Ela lembra ainda que crianças podem e devem tirar o documento de identidade (RG). No caso dos idosos, Elen aponta ainda um complicador, a doença de Alzheimer.

Além disso, idosos costumam ter transporte livre e acabam ficando perdidos nas ruas.

Tecnologia ajuda na localização de crianças e adolescentes

Quando uma criança fica desaparecida por alguns anos, o trabalho de localização fica mais complexo. As alterações no corpo e na face dificultam a identificação. A Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) utiliza nestes casos uma técnica especial de envelhecimento de crianças e adolescentes. O procedimento, realizado por um especialista, resulta na produção de um retrato atualizado, que pode ajudar na identificação do desaparecido. Através deste método, fotos de 13 meninas e 2 meninos já receberam este tratamento. Dois casos estão aguardando solução.

– Elas já foram identificadas. São adultos hoje, mas a abordagem deve ser muito cuidadosa, envolve as famílias. A identificação final é feita por DNA – afirmou a titular da DDPA, Elen Souto.
O trabalho é feito pelo NUENV (Núcleo de Envelhecimento).

A mesma técnica também está sendo usada para localizar desaparecidos com transtornos mentais. A delegada informa que o número de pessoas desaparecidas com esquizofrenia está aumentando e precisa de um tratamento diferenciado. Segundo ela, a esquizofrenia é um problema que as famílias custam a enfrentar e cuidar. Assim, sem o tratamento, a pessoa entra em surto e acaba desaparecendo.

– Essas pessoas andam muito, vão longe. Isto dificulta a localização. A pessoa desaparece e 5 dias depois ela está completamente diferente. Eles ficam muito envelhecidos, ficam castigadas pelas ruas – explicou a delegada.

Os retratos sempre são feitos a partir de uma fotografia real e depois distribuídos para agentes parceiros, site da Interpol, delegacias, agências de inteligência de países que integram a rota do tráfico internacional de pessoas, Facebook, Twitter e imprensa.

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