Governo do Estado resgata teatro que é patrimônio histórico do Paraná

O governador Beto Richa reinaugura nesta sexta-feira (30) o Teatro Ouro Verde, um patrimônio histórico do Paraná, localizado no centro de Londrina, Norte do Estado. O prédio foi construído em 1952, destruído por um incêndio em 2012 e reconstruído pelo Governo do Estado. A obra envolveu investimentos de quase R$ 17 milhões e devolveu características originais do prédio.

O teatro é reconhecido como um ícone da cidade e do Estado. O nome Ouro Verde remete ao café, cujo cultivo alavancou o desenvolvimento da região Norte e puxou a economia paranaense por muitas décadas.

Construído no auge da cafeicultura, o luxo do Ouro Verde, presente nas poltronas, cortinas, tapetes, janelas e bilheteria, retratava a pujança da região na época. Surgiu como Cine Ouro Verde, empreendimento privado dos fazendeiros Celso Garcia Cid, João Santoro e Ângelo Pesarini. O projeto foi do arquiteto Vilanova Artigas. Em 1978, na gestão de Jayme Canet Junior, foi adquirido pelo Governo do Estado, que o repassou à Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Teatro Ouro Verde, em Londrina.Londrina, 01-04-17Foto: Arnaldo Alves / ANPr.

Desde então, o endereço da praça Willie Davids, próximo à catedral e de dois dos mais antigos edifícios da cidade, tornou-se um ativo centro cultural. Foi a casa dos festivais de teatro e de música de Londrina.

Por seu palco passaram nomes nacionais, como Bibi Ferreira, talentos londrinenses como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, espetáculos nacionais, montagens de autores e produtores locais. A cerimônia de entrega da restauração terá a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina, apresentações culturais e homenagens.

BONITO E SEGURO – O teatro tem capacidade para 750 pessoas e um palco com aproximadamente 400 metros quadrados. A estrutura original foi mantida. O projeto de reconstrução seguiu rigorosamente as recomendações técnicas da Coordenação do Patrimônio Cultural e Histórico do Paraná e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O prédio foi totalmente recuperado, incluindo o restauro da fachada, com o tradicional letreiro constituído pelas folhas e fruto do café nas cores verde e vermelha, além das conhecidas pastilhas verdes que ornamentam as colunas externas do Teatro.

O prédio agora é dotado de modernos equipamentos de segurança, equipamentos cênicos, sistema de ar-condicionado. A iluminação também ganhou tecnologia avançada e todos os ambientes têm modernos sistemas de climatização e de tratamento acústico. Toda edificação recebeu tratamento antichamas.

Houve cuidado especial em relação à procedência dos materiais, como poltronas feitas em madeira de lei, com revestimento em tecido verde, bastante semelhante às originais. Foram recuperados materiais originais, como as antigas pastilhas da fachada e os pisos em madeira e granitina.

GRANDE ESTILO – Na cerimônia de reinauguração, a Orquestra Sinfônica da UEL executará peça composta exclusivamente para a ocasião. Será exibido vídeo em que o ator Luiz Cláudio Castelo Branco interpreta crônica do jornalista e escritor Nilson Monteiro. O grupo vocal Entre Nós apresentará a música Pé Vermelho e o grupo da Funcart encenará trecho da peça Bodas de Café, de autoria de Nitis Jacon.

As comemorações continuam nas próximas semanas, sob coordenação da Casa de Cultura da UEL. Elas serão gratuitas e abertas à comunidade de Londrina e região

PERSONAGENS DA CULTURA – Escritores, musicista, jornalista e artista falam sobre suas lembranças e experiências no espaço cultural e a importância da reabertura.

O engenheiro que reergueu o teatro das cinzas

O engenheiro José Pedro da Rocha Neto, de Londrina, saiu à sacada do seu prédio, viu o espesso rolo de fumaça que emergia do centro da cidade e então e foi informado: era o Ouro Verde em chamas.

Rocha Neto se dirigiu ao local. “Labaredas eram visíveis na parte central do cinema e no alto da fachada, liberadas pelas janelas. A emoção dominava a todos. Muitas pessoas choravam descontroladamente”.

O engenheiro acompanhou o drama do Ouro Verde, o desespero dos que o assistiam e o esforço dos bombeiros para conter as chamas. As lembranças dos tempos áureos do cinema fundiram-se às imagens de sua agonia. De 1953 a 1957, ano em que deixou Londrina para estudar engenharia na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, Rocha Neto frequentou assiduamente o Ouro Verde. “Foram anos marcantes na minha vida e formação cultural. Naquele cinema, assisti aos filmes mais famosos da época e que me marcaram para sempre”.

Não apenas os filmes, mas o próprio cinema o marcaria para sempre: sua empresa Regional Planejamento e Construções Civis venceu, em novembro de 2913, a licitação para literalmente fazer ressurgir das cinzas o Ouro Verde.

A obra, a mais complexa e sensível de sua vida profissional, começou em janeiro de 2014. Três anos e seis meses depois, Rocha Neto entrega o Ouro Verde tal qual era em suas características básicas 65 anos atrás, porém modernizado, mais seguro, mais confortável.

Rocha Neto é autor de 18 livros, todos com títulos sugestivos como “Um dia um anjo sentou-se ao meu lado” e “Além das nuvens o céu é azul”. São livros de recordações pessoais e familiares. O mais recente – “Sopro de luz sobre as cinzas do passado” – é um relato minucioso do restauro do Ouro Verde, que, a partir de agora, segundo Rocha Neto, “lançará um jato de luz sobre as glórias do passado e as incertezas do futuro.


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