Da novela para a vida real: entenda como age um jovem transgênero e como ajudá-lo


Assim como a personagem Ivana, a transgênero da trama ‘A Força do Querer’, muitos adolescentes sofrem com conflitos na hora de descobrir e assumir seu gênero e orientação sexual; especialista explica importância da ajuda dos pais ou responsáveis

O drama vivido pela personagem Ivana, protagonizada pela atriz Carol Duarte na novela “A Força do Querer”, tem sido cada vez mais comum entre os jovens no momento da descoberta da sexualidade, gênero e orientação sexual. Na trama, Ivana passa pelo conflito emocional quando não consegue entender o motivo de seu corpo de mulher não corresponder aos seus sentimentos e instintos masculinos, entre eles a insatisfação com o corpo feminino, ausência de vaidade e atração pelo sexo oposto.

Sarah Lopes, psicóloga do Hapvida Saúde, explica que transgêneros são indivíduos que não se identificam com seu gênero biológico ou de origem e se sentem incomodados, acham que estão no corpo errado, se sentindo insatisfeitos em relação ao seu próprio sexo de nascimento. Muitos deles são incompreendidos e, por isso, nunca relataram nada por acreditar que familiares ou pessoas próximas não entenderiam. Diante disso, a presença dos pais – ou responsáveis – é fundamental para ajudar o jovem a passar por esta fase de descobrimento.

“Inicialmente, os pais devem estar de ouvidos atentos para a fala dos filhos. Mesmo com muitos artigos e assuntos sobre o tema, ainda é um assunto polêmico e novo. Nem os pais, nem as escolas, nem mesmo a sociedade estão de todo preparados para enfrentar esta ‘novidade’. É muito comum o sentimento de culpa nesses casos, pois alguns adolescentes ou crianças não compreendem e não sabem como lidar também com os pais que, muitas vezes, não compreendem o que está acontecendo. Os transgêneros não desejam se sentir assim e, às vezes, não sabem como se expressar ou explicar o que sentem”, afirma a psicóloga.

De acordo com a especialista, não há indícios de que o indivíduo já nasça transgênero, mas há relatos de que crianças desde pequenas, por volta dos 3 ou 4 anos, já podem expressar o desconforto corporal. Porém, a manifestação é mais comum por volta dos 6 anos, quando se inicia a maturação cognitiva e entendimento sobre a estrutura do corpo e diferenças de gêneros. Mas é mesmo na adolescência que essa percepção fica ainda mais intensa e exige ainda mais a orientação dos pais.

“A faixa etária mais comum é na adolescência, que é quando a sexualidade começa a despertar e os adolescentes começam a identificar o objeto de desejo. Ainda assim, isso não significa uma possível homoafetividade, até porque estamos lidando com um ‘gênero psicológico’ do sujeito, e com um processo de identificação corporal. De acordo com o que é apresentado na novela, a personagem Ivana possui alguns conflitos familiares, especialmente com sua mãe, que deposita muita expectativa em sua filha, e em como ela deve se vestir e se comportar, o que contribui para a jovem refletir ainda mais sobre seu corpo, hábitos e descobrir seu verdadeiro gênero”, explica Sarah Lopes.

A orientação de Sarah é que o indivíduo passe por acompanhamento de especialistas, como psicólogos e psicanalistas, não somente para que permita compreender sua sensação de inadequação corporal, mas especialmente para que suas dúvidas e culpabilidade possam ser sanadas, levando o indivíduo a minimizar os danos emocionais e evitando que tome atitudes precipitadas em decorrência de seu desconforto.

“O mais importante para pessoas que passam por situações de conflito de gênero é o apoio da família, que, minimiza consideravelmente as frustrações e o medo já presentes nos transgêneros”, enfatiza a psicóloga.

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