Colômbia reconhece Acre como referência de sustentabilidade e estabelece agenda de cooperação


A Amazônia cobre sete milhões de quilômetros quadrados e não é apenas a maior reserva florestal, mas também a maior reserva de água doce do mundo.

Esse imenso território abrange nove países. Apesar de muitas diferenças em suas culturas e histórias, os problemas e desafios que eles enfrentam em muitas áreas são similares.

Em um dia histórico para duas nações irmãs, o governo do Acre foi o convidado de honra na Colômbia em um evento organizado especialmente para que o estado apresentasse suas experiências de política ambiental, que busca o equilíbrio no desenvolvimento econômico, com inclusão social e conservação ambiental.

Tião Viana apresentou para o governo colombiano a experiência do Acre com o desenvolvimento sustentável (Foto: Andréa Zílio/Secom)

O encontro de prefeitos e governadores, realizado em Bogotá – capital colombiana –, teve a presença do ministro do Meio Ambiente da Colômbia, Luis Gilberto Murillo, e do gerente do Banco Mundial no país, Issam Abousleiman.

Acredito que a transformação pelo qual o Acre passou nesses 20 anos é impressionante e estamos muito interessados em seguir este intercâmbio
Luis Gilberto Murillo

O governador Tião Viana fez a apresentação da política e os resultados do Acre para os governadores Álvaro Pacheco (Caquetá), Javier Zapata (Guainía), Nebio de Jesús Echeverry (Guaviare), Marcela Amaya García (Meta), e os prefeitos de Cartagena, Luis Francisco Vargas, e de Miraflores, Jhonivar Cumbe, além do general do Exército colombiano Augusto Parra, equipe do governo e organizações convidadas.

Na delegação brasileira, além de Tião Viana, estiveram presentes a chefe da Casa Civil, Márcia Regina, os secretários de Planejamento, Márcio Veríssimo, e de Comunicação, Andréa Zílio, o diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais, Dande Tavares, o deputado Léo de Brito, pela Câmara Federal representando o parlamento brasileiro, e os prefeitos acreanos de Jordão, Elson de Lima, e de Brasileia, Fernanda Hassem.

Visando a troca de experiências e discutir sobre o tema “Una Amazónia Libre de Deforestación” [Uma Amazônia Livre do Desmatamento, em tradução livre], o encontro de prefeitos e governadores da Amazônia Colombiana reuniu as vivências e desafios de estados e municípios sul-americanos em um diálogo voltado para uma Amazônia livre da devastação florestal.

O Acre apresenta seu modelo fruto de um grande esforço de decisão política, cujos investimentos em alternativas que visam adequar a aptidão econômica de cada região dada pelo Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), que respeitem a legislação, inclua as pessoas e permitam o desenvolvimento com tecnologia que agregue valor aos produtos, sobretudo, em uma estratégia de envolver as comunidades organizadas em cooperativas, comunidades tradicionais e indígenas e, ainda, aquelas residentes nas cidades.

“Três coisas são essenciais para esse modelo de desenvolvimento sustentável: acreditar que é possível, diversificar a base econômica e apostar em qualidade do que se produz, incorporando tecnologia. Temos buscado isso e estamos colhendo bons resultados de um trabalho que concilia o crescimento econômico, a conservação ambiental e a qualidade de vida para a população”, disse Tião Viana.

Para o ministro Luis Gilberto Murillo é surpreendente o que se escutou e viu do Acre. “Estamos muito impressionados com o que escutamos do senhor governador do estado do Acre. Acredito que a transformação pelo qual passaram nesses 20 anos é impressionante e estamos muito interessados em seguir este intercâmbio, para que possamos aprender dessa experiência e aplicar nos departamentos da Amazônia Colombiana”, comentou.

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Relações amazônicas 

Luis Murillo disse ser essencial que o país inicie esse caminho de articulação para a conservação da natureza e desenvolvimento econômico e social.

Ele ressaltou que a experiência do Acre adaptada à realidade colombiana será muito importante. O ministro também convidou o governador Tião Viana para retornar à Colômbia, para uma agenda com o presidente da República, Juan Manuel Santo.

O presidente do Banco Mundial na Colômbia, Issam Abousleiman, fez um agradecimento especial ao governador Tião Viana por ter aceito o convite de compartilhar suas experiências com o governo colombiano, que também recebe investimentos internacionais e em 2015 assinou na COP-21, em Paris, contrato com o Programa REM (REDD for Early Movers – pioneiros na conservação), do banco alemão KfW.

As práticas do estado do Acre são muito interessantes pelo modelo de gestão e os resultados que apresentam
Issam Abousleiman

O mesmo acordo também foi assinado pelo Acre em 2012 e está em fase de conclusão em 2017. No evento foram apresentados os grandes impactos positivos que a parceria gerou ao estado, em especial para as comunidades indígenas, extrativistas, produtores familiares, e demais provedores de serviços ambientais.

O Acre já está em negociação para consolidar a segunda fase do programa. “As práticas do estado do Acre são muito interessantes pelo modelo de gestão e os resultados que apresentam, inclusive, em muitos trabalhos em parceria do Banco Mundial. Acreditamos na importância do estado compartilhar isso com a Colômbia, que tem tido bons resultados, mas ainda tem muitos desafios”, disse Abousleiman.

Representando o parlamento brasileiro, o deputado federal Léo de Brito ressaltou a importância das discussões subnacionais e disse que este momento representou um exemplo bem sucedido. “A questão ambiental não tem fronteiras, é de todos, daí a importância de a legislação dispor de forma clara sobre a cooperação entre os três entes, federal, estadual e municipal, e a atuação parlamentar é fundamental nesse entendimento. O que estamos fazendo aqui hoje é fruto de decisões políticas responsáveis”, disse o deputado.

Comitiva acreana com o ministro colombiano Murillo (C) (Foto: Andréa Zílio/Secom)

As experiências municipais da Amazônia

Outro momento importante do evento foi dedicado para o Acre mostrar duas experiências no âmbito municipal. Jordão, como fez questão de apresentar o prefeito Elson Lima, passa por um momento que é fruto da política desenvolvida na gestão estadual. O município está recebendo um investimento de aproximadamente R$ 30 milhões em saneamento ambiental integrado e pavimentação.

“Temos orgulho de estar aqui apresentando uma nova realidade que vive Jordão. O estado caminhou em uma direção que tem possibilitado isso. Nosso IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] em 1991 era 0,170, em 2000 foi para 0,222, e em 2010 chegamos a 0,469. E seremos a segunda cidade do Acre a ter seus resíduos sólidos tratados”, ressaltou.

A prefeita de Brasileia, Fernanda Hassem, lembrou: “Nem sempre foi assim, mas há 20 anos decidimos seguir por um novo caminho. A luta do movimento social liderado por Chico Mendes e Wilson Pinheiro foi fonte de inspiração para uma geração que acredita em um Acre desenvolvido e sustentável”.

“Estou muito interessado em ver com meus próprios olhos as transformações que aconteceram ali”, afirma o ministro (Foto: Andréa Zílio/Secom)

Parceria contínua

Ao que tudo indica, este é o primeiro contato de muitos entre os gestores, pois o ministro colombiano disse ter interesse em visitar o Acre. “Estou muito interessado em ver com meus próprios olhos as transformações que aconteceram ali. Este é mais um exemplo das possibilidades de cooperação entre os povos irmãos da Colômbia, do Brasil e de todos os estados da Amazônia”, reforçou.

O exemplo do Acre nos mostra que essa missão é possível
Luis Gilberto Murillo

E o governador Tião Viana já apresentou encaminhamentos para a continuidade desse diálogo, convidando os governadores presentes a integrarem a Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Floresta (GCF).

Viana falou também da experiência do Fórum de Governadores da Amazônia, que funciona no Brasil, e propôs que esse encontro fosse o início de uma articulação para a União dos Governos da Amazônia Sul-Americana.

“Acredito nas cooperações, trocas de experiências e fóruns, pois eles são fundamentais para avançarmos no desenvolvimento. Existe uma tragédia ambiental global, existe uma ameaça civilizatória. Nós, de um estado da Amazônia brasileira, escolhemos isso como conceito de vida. Estamos fazendo a nossa parte conservando e desenvolvendo ”, disse.

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