Ações de combate ao roubo de carga no Rio vão até o fim de 2018

O governador Luiz Fernando Pezão se reúne, no Palácio Guanabara, com o ministro da Defesa, Raul Jungmann; o ministro da Justiça, Torquato Lorena Jardim; secretários estaduais e outras autoridades para tratar do plano de enfrentamento ao roubo de cargas no Rio (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

As ações específicas para combater o roubo de carga no Rio de Janeiro vão integrar os governos do estado e federal, além do setor privado, num planejamento de 18 meses. Também será formado um grupo de trabalho para acompanhar e avaliar as ações, com reuniões quinzenais. O anúncio do Plano Carga Segura foi feito hoje (28), no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, após reunião em que participaram o governador Luiz Fernando Pezão, e os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Justiça, Torquato Jardim.

De acordo com o secretário de Estado da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, Christino Áureo, mais de 70 entidades, sindicatos, federações e empresas de todos os setores da economia participaram do planejamento, com sugestões e demandas.

“A área do desenvolvimento econômico vem sendo afetada, obviamente, porque essas cargas representam a chegada dos produtos, o abastecimento não só da região metropolitana do Rio, abrange o Brasil inteiro, mas no Rio teve uma escalada recente que chamou a atenção e, por isso, o nível de resposta vai ser bastante intenso”, disse.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em cinco anos o prejuízo decorrente do roubo de carga no Brasil passa de R$ 6 bilhões. No Rio de Janeiro, a estimativa é que o preço de alguns produtos fique 20% mais caro por causa do delito e as transportadoras chegaram a ameaçar uma paralisação caso o problema não seja resolvido.

O secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá, lembrou que o roubo de carga tem crescido no estado  e está relacionado também ao tráfico de drogas, como uma forma de financiamento do crime organizado.

“Solicitamos apoio da Força Nacional e fizemos um planejamento estratégico especial para esse delito na área que ele era mais significativo. Esse aporte demonstrou que ele é eficaz, mas não estaria sendo suficiente em razão da mobilidade e do deslocamento dessa mancha [criminal] para outros polos que passaram a ter também indicadores significativos. O roubo de carga passou a mudar de lugares, e os recursos não eram suficientes para acompanhar o descolamento da mancha. Agora com toda essa integração vai ser possível”, disse o secretário.

Sem divulgar valores, prazos, nem estratégias de ação, Roberto Sá informou que os aportes do governo do estado e federal já foram dimensionados, tanto os recursos financeiros como o humano e material.

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro, José Roberto Gonçalves de Lima, confirmou que o efetivo de 380 homens anunciado na semana passada já está trabalhando de forma plena tanto na região metropolitana quanto nas divisas do estado. “Estamos atuando nas fronteiras desde o Rio Grande do Sul até o Mato Grosso do Sul, fazendo o monitoramento tendo em vista a vinda de armas e drogas para o Rio de Janeiro. Começou antes da operação no Rio e os resultados são bastante expressivos. Já são dez dias que não temos tentativa de roubo de carga em rodovia”.

O governador Luiz Fernando Pezão destacou que não haverá ocupação de locais específicos, mas que o efetivo da Força Nacional ficará à disposição das operações no estado. “Vamos contar com um número significativo de homens à disposição das nossas operações. Não vão ser locais ocupados como foram antigamente no Alemão, na Maré, mas eles vãos estar à disposição”.

Pezão defendeu mudança na legislação, para aumentar a pena para quem porta arma de guerra, como fuzil, sugestão que será levada pelo Fórum de Governadores à Câmara dos Deputados e ao Senado. Ele destacou que os recursos do Plano Carga Segura também serão investidos na área social.

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