Hospitais do Estado reforçam o combate à mortalidade neonatal

Com apenas 16 anos, Diene Silva, moradora de Barcarena, teve o primeiro filho de forma prematura. O bebê, uma menina, nasceu de sete meses e pesando pouco mais de um quilo na maternidade da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém. Mas graças ao Método Canguru ela já ganhou quase 500 gramas e vem se desenvolvendo muito bem. FOTO: CRISTINO MARTINS / AG. PARÁ DATA: 30.07.2017 BELÉM - PARÁ


Com apenas 16 anos, Diene Silva, moradora de Barcarena, teve o primeiro filho de forma prematura. O bebê, uma menina, nasceu de sete meses e pesando pouco mais de um quilo na maternidade da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém. Mas graças ao Método Canguru ela já ganhou quase 500 gramas e vem se desenvolvendo muito bem.

Certificado pelo Ministério da Saúde como referência estadual, o Método Canguru é um programa de atendimento a recém-nascidos de baixo peso, oferecido pela Santa Casa, e que compreende três etapas. A primeira começa no pré-natal, seguida da internação do recém-nascido na Unidade Neonatal (UTI e UCI), em que o bebê permanece ao lado da mãe na Enfermaria Canguru, recebendo todos os cuidados necessários, e a terceira etapa, que garante o acompanhamento ambulatorial da criança e da família, até que ela atinja o peso mínimo de 2,5 kg.

“Não existe método melhor que esse para que a criança, pois ela se sente tal como se estivesse dentro da barriga da mãe. Minha bebê está ganhando peso rapidamente, sentindo todo o meu amor de perto, pele a pele, e isso é fundamental para o desenvolvimento dela”, conta a mamãe de primeira viagem, Diene Silva.

Além da saúde do bebê, o Método Canguru reforça os laços entre mãe e filho. “Quando o filho cresce um pouco, algumas mães acabam deixando o bebê para outra pessoa cuidar porque têm de trabalhar. Mas depois de conhecer desse método, sentindo o bebê de forma tão intensa, juntinho da gente, elas não vão mais querer fazer isso”, reforça a dona de casa Arlete Dias, 40 anos, que passou a ser uma entusiasta do método depois que o terceiro filho nasceu prematuro, aos seis meses.

Números positivos – Desde 2011, o governo do Estado vem atuando de forma intensiva no combate à mortalidade infantil. O Método Canguru é uma das ações de políticas públicas implantadas pela Coordenação Estadual de Saúde da Criança, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que tem conseguido diminuir as taxas de mortalidade, sobretudo na faixa etária neonatal.

Em 2011, o índice de óbitos girava em torno de 12 para cada mil bebês nascidos vivos. Ao final de 2015, esse índice diminuiu para 10. “Essa diminuição do índice de mortalidade infantil de 18% para 14% em 2015 é o principal número a ser festejado. Por conta disso, 1.243 crianças que poderiam faze parte de uma estatística desfavorável, hoje estão por aí, correndo”, comemora a secretária adjunta da Sespa, Heloísa Guimarães.

QualiNeo – Para reforçar e agregar as políticas de saúde pública neonatal, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e o Ministério da Saúde (MS) lançaram na última quarta-feira, 26, no auditório da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, a segunda fase da Estratégia QualiNeo, que está sendo implantada simultaneamente em outros nove estados brasileiros: Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Roraima e Sergipe. O objetivo é reduzir os índices de mortalidade neonatal em bebês com até 28 dias.

A primeira fase do projeto foi a seleção de três maternidades de cada estado, que receberão a estratégia neste primeiro momento e a replicarão posteriormente nos demais serviços. No Pará, as maternidades dos hospitais de Clínicas Gaspar Vianna e da Santa Casa de Misericórdia, em Belém, e do Hospital Santo Antonio Maria Zaccaria, de Bragança, foram as escolhidas. Todas três maternidades funcionam como hospitais escola, com residência multiprofissional.

Qualificação – A segunda etapa do QualiNeo vai desenvolver oficinas de capacitação para qualificar as maternidades na atenção ao recém-nascido, buscando integrar todas as ações do Ministério da Saúde voltadas à criança, aliadas com as ações das redes de atenção à saúde, envolvendo a atenção básica e a rede de urgência e emergência. “Vamos acompanhar efetivamente o desempenho desses estados e dar todo o apoio técnico a eles, no que for necessário. Nossa equipe estará com quatro consultores e mais uma plataforma interativa. Além da qualificação presencial, vamos promover vídeoconferências a cada dois meses”, explicou Renara Guedes, consultora técnica da coordenação geral da Saúde da Criança e Aleitamento Materno, do Ministério da Saúde.

Durante o lançamento da segunda etapa da Estratégia QualiNeo, também foi assinado um termo de adesão e compromisso entre representantes do MS, Sespa, gestores dos hospitais envolvidos e secretarias de Saúde de Belém e de Bragança.

A Estratégia QualiNeo reúne as principais ações desenvolvidas pelo governo federal, a fim de garantir ao recém-nascido o melhor início de vida, e que hoje são ofertadas e acompanhadas de maneira isolada, como é o caso da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, qualificação e habilitação de leitos neonatais, Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso (Método Canguru), Bancos de Leite Humano, Reanimação Neonatal e Transporte Neonatal.

A meta do Ministério da Saúde é concluir a qualificação das maternidades prioritárias na estratégia do QualiNeo em 24 meses. “Para nós é fundamental toda ação que possa vir melhorar a nossa assistência neonatal. Estamos em uma busca constante por aperfeiçoamento e é fundamental esse apoio oferecido pelo Ministério da Saúde na qualificação”, disse Ana Guzzo, coordenadora estadual da Saúde da Criança.

“A missão da Santa Casa é gerar conhecimento e garantir atendimento em saúde a mulheres, crianças, gestantes ou quaisquer outras pessoas que nos procurem. Então essa estratégia vem reforçar todos os nossos projetos. Vamos dividir nossas experiências com outros hospitais do estado que precisam desse apoio, com o objetivo maior de reduzir ainda mais a mortalidade neonatal, especialmente na faixa entre 0 e 28 dias de vida”, reforça a presidente da Santa Casa, Rosângela Monteiro. “Com esse apoio na qualificação vamos conseguir sair dessa faixa de 14% e fazer com que o Estado se torne um exemplo bem sucedido de ”, reforçou a secretária adjunta de saúde, Heloísa Guimarães.

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