Praças, parques e museus realçam elementos culturais de Campo Grande


Monumentos também são marcos da história de Campo Grande, com traços arquitetônicos que identificam épocas da expansão urbana

 

 

Como a história só vale se for testemunha do tempo, a preocupação em resgatar a memória se reflete não apenas nas manifestações artísticas, mas na busca do resgate de seu passado, por meio da restauração de patrimônios históricos e construção de museus. Em Campo Grande há museus que trazem o passado ao presente e asseguram o registro atual para o futuro.

O mais emblemático dos museus é também o mais simples. O museu José Antônio Pereira, antiga sede da Fazenda Bálsamo, foi a casa do filho que ajudou o fundador a desbravar a região.

Entrada do museu José Antonio Pereira. Foto: Edmir Conceição

 

A casa, de arquitetura rural do século XIX, abriga pertences, utensílios e móveis da época, além de equipamentos rústicos, como peças de tear, monjolo, moinho de café, entre outros objetos e utensílios pessoais, inclusive um penico. O carro-de-boi, que simboliza o desbravamento, está intacto num galpão ao lado da casa. A construção de barro de sopapo ou pau-a-pique foi restaurada, de modo a preservar suas características.

Uma escultura em pedra granito no pátio do museu retrata Antônio Luiz Pereira, sua mulher Anna Luiza e a filha Carlinda. A casa foi construída por volta de 1880.

De apenas um único museu público e outros três museus privados, um deles mantido pela Missão Salesiana, Campo Grande ampliou seus locais históricos. A construção de museus públicos ocorre não apenas sobre novas edificações, mas sobretudo por meio da restauração de prédios históricos, do início do século passado, que têm relação com a cultura e processos de desenvolvimento econômico e social da cidade.

O museu Arqueológico revela, por exemplo, que antes mesmo do descobrimento do Brasil os índios Guaicurus dominavam toda a região do Pantanal.

Da agricultura de subsistência ao manejo do gado no Pantanal, dos rituais de caça e pesca ao artesanato. As atividades dos índios têm significado econômico e ganham incentivos do poder público. A presença é tão forte que Campo Grande tem até uma “aldeia urbana” – um núcleo de casas de alvenaria, mas com arquitetura semelhante a uma oca.

O principal parque leva o nome de “Nações Indígenas” e ali está o Museu Dom Bosco. Na entrada, os visitantes passam por um piso de vidro que reflete um cocar, símbolo do poder do cacique de uma aldeia.

Museu Dom Bosco: os visitantes passam por um piso de vidro que reflete um cocar, símbolo do poder do cacique de uma aldeia. Foto: Mapionet

É por meio da produção artesanal, no entanto, que as principais etnias expressam seus costumes e moldam a cultura campo-grandense. Os monumentos também preservam os elementos da formação cultural, como o Carro de Boi, que mostra a influência da bovinocultura e registra o início do povoado, por volta de 1872.

Vindos de carros de boi, os pioneiros iniciaram a formação do povoado, construindo seus primeiros ranchos no local então conhecido como Mato Cortado. A obra no local onde acampou José Antônio, idealizada pela artista plástica Neide Ono, é composta de peças fundidas em alumínio e metal dourado sobre fundo de granito preto.

Obelisco, na avenida Afonso Pena, é um dos marcos históricos de Campo Grande. Foto: Campograndenews

A figura do fundador de Campo Grande também está presente em uma placa no Obelisco e em um busco na esquina das avenidas Afonso Pena e Calógeras.

O processo de desbravamento e a ocupação, aliadas à vocação agropastoril, definiram o DNA cultural de Campo Grande, para onde se converge a maior parte das produções artísticas, seja pela música, seja por intermédio das artes plásticas, artesanato e dança.

A influência estética popular na maioria do artesanato regional pode ser percebida nas peças de cerâmica indígena (Terena e Kadiwéu) e nos trabalhos em madeira que pode ir de móveis aos utilitários em forma de gamelas, ou nos entalhes dos animais silvestres do Pantanal e do Cerrado.

Os trabalhos em fibras naturais feitos com palhas de milho, juta ou salsaparrilha em traçados torcidos, são tão atraentes quanto os de tecelagem em redes, colchas, tapetes e faixas vindos de diversas regiões do Estado.

Praças e Parques

A qualidade de vida em Campo Grande se reflete no grande número de parques e praças, como o Parque das Nações Indígenas, Sóter, Jacques da Luz, Ayrton Senna, Anhanduí, Prosa e Mata do Segredo.

Parque das Nações Indígenas – Considerado o maior parque urbano do mundo, com uma extensão de 119 hectares, o local oferece infraestrutura adequada para a prática de lazer e esporte. Possui uma pista asfaltada para caminhada de 4000 m, quadra de esportes, pátio para skate e patins, sanitários, lanchonetes, policiamento e um grande lago formado próximo à nascente do córrego Prosa. Disponibiliza também um local destinado a shows e apresentações. Cerca de 70% da vegetação do parque é formada por gramas e árvores ornamentais que fazem parte do projeto de paisagismo do parque. Uma grande quantidade de espécies de árvores são preservadas, como jenipapo, mangueira e aroeira.

Considerado o maior parque urbano do mundo, com uma extensão de 119 hectares o Parque das Nações Indígenas é muito visitado. Foto: Edemir Rodrigues

Parque Ecológico do Sóter – Inaugurado no fim de 2004 e é um dos mais novos da cidade. Projetado como parque modelo, oferece área verde de 22 hectares, quadras poliesportivas, pista de skate e patinação, pista de cooper, ciclismo e quiosque com churrasqueira.

Parque Estadual do Prosa – Anexo ao Parque das Nações Indígenas e Parque dos Poderes, possui área de 135 hectares onde fica a nascente do córrego Prosa. Local com trilhas para prática de esportes radicais. No mesmo parque estão situados o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) e espaços para exposições e venda de artesanatos regionais.

Parque dos Poderes – Possui como característica a paisagem do cerrado. Os pequenos prédios que abrigam os diversos setores da administração estadual se espalham ao longo das avenidas, dando ao conjunto aspecto de perfeito equilíbrio ambiental. Destacam-se na paisagem a Torre da TV Educativa (apontada como a mais alta de alvenaria no País) e o Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, um dos maiores e mais bem equipados centros de convenções do interior do Brasil. Dirigir no parque à noite exige atenção para não atropelar algum animal (lobinhos, quatis e tatus) que mora na reserva vizinho. E também de dia, porque, principalmente nos fins de semana, o parque é tomado pelos ciclistas e adeptos de caminhadas.

Vista aérea do Parque dos Poderes, considerado o centro administrativo dos três poderes da Capital. Foto: Edemir Rodrigues

Parque Estadual Mata do Segredo – Possui 177,58 hectares e é utilizado também para fins de pesquisa científica, educação ambiental, recreação e turismo em contato com a natureza. Situado na zona norte de Campo Grande, pertence ao Exército.

Parque Florestal Antônio de Albuquerque – Conhecido como o Horto Florestal (desde 1956), possui uma área verde de 4,5 hectares. Abriga espaço de lazer e várias espécies de árvores nativas, preservando suas características próprias. O local dispõe de orquidário, espelho d’água com espaço para manifestações culturais, pista de bicicross, pista de skate, teatro de arena coberto para atividades múltiplas (capacidade para 2 mil pessoas), projeto de reflorestamento e paisagismo, biblioteca pública e centro de convivência para idosos.

Parque Jacques da Luz – Oferece um espaço amplo para eventos e exposições, além de contar com diversas quadras de esporte. Possui também oficinas culturais para diversas faixas etárias.

Praça Ary Coelho – Localizada no centro da capital, o local abrigou o primeiro cemitério de Campo Grande (na época, arraial de Santo Antônio), tornando-se praça em 1909 com o novo traçado da cidade. Em 1954 recebeu o nome de Praça Ary Coelho em homenagem ao Prefeito de Campo Grande, assassinado em 1952, em Cuiabá-MT.

Praça Ary Coelho, localizada no centro da Capital, abrigou o primeiro cemitério de Campo Grande. Foto: Diário Digital

Praça Cuiabá – Conhecida também por Monumento Cabeça de Boi, seu traçado topográfico foi feito em 1923, no início da construção dos quartéis e da Vila Militar do Exército. O local, na época da inauguração do Coreto (1925), ainda não era uma praça, mas apenas uma rotatória na confluência das ruas Dom Aquino, Marechal Rondon e Duque de Caxias.

Praça das Araras – Dispõe de quadra esportiva, espelho d’água, parque infantil e o monumento das araras. Também conhecida como Praça União, foi inaugurada junto com o Mercado Municipal em 1964.

Ponto de encontro para a prática de esportes, a praça Belmar Fidalgo foi construída em 1933 como estádio de futebol. Foto: Prefeitura de Campo Grande

Praça Esportiva Belmar Fidalgo – Possuindo toda infraestrutura esportiva, foi construída em 1933 como estádio de futebol e, em 1987, tornou-se uma praça esportiva. Em 1994, o local passou por uma grande reforma. Possui duas quadras poliesportivas, arena para quadras de areia, pista de cooper, banheiros, duchas, campo de futebol suíço, playground infantil, área para ginástica, lanchonete, sede administrativa, muito verde e uma forte iluminação.

Praça dos Imigrantes – A praça é dividida em duas partes: uma com lanchonete e banheiros e outra com 30 estandes onde são vendidos trabalhos artesanais. Neste local, ainda há um minipalco que é utilizado para apresentações em dias comemorativos, como Dia das Mães, Dia do Artesão e Dia do Índio.

Praça Lúdio Martins Coelho – Conhecida também por Praça Itanhangá, é uma área verde onde podem ser encontradas nascentes de água. Possui pista de cooper, quiosques e um parque infantil.

Praça Oshiro Takemori – Na praça funciona a Feira Indígena, que possui três quiosques em formato de oca onde são comercializados produtos naturais (raízes medicinais, palmito, variedades de pimenta, milho verde, abóbora e conservas de pequi), além de peças de artesanato indígena.

Praça da República mais popularmente conhecida como a “praça do Rádio”. Foto: Mapionet

Praça da República – Conhecida como Praça do Rádio, por ficar em frente à sede do Rádio Clube. O terreno pertencia à Diocese de Campo Grande, que fez uma permuta com a Prefeitura Municipal para a construção da praça. No local, costumam acontecer feiras e shows musicais. A praça também abriga uma pequena loja de artesanato regional.

Praça Vilas Boas – Conhecida também como praça do peixe, por ter um formato semelhante ao de um peixe. Foi toda revitalizada e é mantida pelos moradores. O Bairro Vilas Boas concentra muitos artistas plásticos, artesãos e músicos.

Monumentos

Os monumentos também são marcos da história de Campo Grande, com traços arquitetônicos que identificam épocas da expansão urbana, como o Monumento do Aviador, ao Índio Guaicuru, Imigração Japonesa; Monumento Carro de Boi (esquina das ruas Fernando Correa da Costa e Ernesto Geisel): conhecido também por Monumento dos Imigrantes, Pantanal Sul e Relógio Central.

Este monumento marca o local onde chegaram as primeiras famílias de migrantes em Campo Grande, que vieram de Minas Gerais desbravar a região. Foto: Carrosdeboi

Conheça os espaços culturais

Concha acústica Helena Meirelles. Foto: Fundação de Cultura e Cidadadnia de MS

Concha Acústica Helena Meirelles – Inaugurada em 11 de outubro de 2003, sua estrutura foi planejada para que uma pessoa pudesse ser ouvida num raio de 30 metros sem elevar a voz. A Concha está localizada no Parque das Nações Indígenas, ao lado do Museu de Arte Contemporânea;

Teatro Belas Artes – situado no Centro Municipal de Belas Artes;

Teatro de Arena do Horto Florestal – Possui capacidade para 2.000 pessoas;

Teatro de Arena do Parque Anhanduí – Localizado no Parque Anhanduí;

Fachada do Palácio das Comunicações, no Parque dos Poderes. Foto: Portal da Educativa

Teatro de Arena da TVE – Situado no Palácio das Comunicações de Campo Grande;

Teatro Dom Bosco – Parque das Nações Indígenas;

Teatro Fernanda Montenegro – Colégio Mace;

Teatro Glauce Rocha – Um dos principais e maiores teatros da cidade. Está localizado no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS);

Teatro Manoel de Barros – Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo (Palácio Popular da Cultura);

O local possui 1 sala com acervo permanente e 4 salas para exposições temporárias, além de biblioteca, salas de aula, ateliê e auditório. Foto: Edemir Rodrigues

Teatro Prosa – No Sesc do Horto Florestal;

Museu Dom Bosco –O Museu Dom Bosco foi criado em 1950 por padres salesianos e é conhecido como “Museu do Índio” ou “Museu da História Natural”. Fica no Parque das Nações Indígenas.

Museu de Arte Contemporânea (Marco) – Instalado no Parque das Nações Indígenas, o museu possui um espaço para exposição permanente com acervo de artistas plásticos;

Calendário de eventos tradicionais

Veja o calendário de eventos tradicionais de Campo Grande:

Janeiro

  • Festa de Santo Reis – Em Campo Grande essa folia é feita geralmente em bairros, pois guarda características culturais das zonas rurais e do interior.

Fevereiro

  • Carnaval de Rua – Costuma durar 4 dias, tendo quatro shows noturnos e duas matinês.

Maio

  • Festa de São Benedito – São Benedito, santo protetor dos negros, é homenageado com uma semana de terço. No sábado acontece uma festa e, no domingo, um churrasco comunitário. A festa se tornou uma das mais tradicionais de Campo Grande. Desde 1905, os devotos do santo e descendentes da Tia Eva reúnem-se para a realização de eventos culturais, bailes, degustação de comidas típicas, leilões e jogos de quermesse, rezas e espetáculo com fogos de artifício.

O arraial é uma homenagem ao padroeiro da Capital. Foto: Campograndenews

Junho

  • Arraial de Santo Antônio – Arraial é realizado no dia 13 de junho, em homenagem ao padroeiro de Campo Grande. São montadas mais de cem barracas de brincadeiras, comidas, artesanato e comidas, sendo grande parte organizada por entidades assistenciais. Também há concurso de quadrilhas, fogueira de 100 metros de altura e shows musicais de artistas regionais e nacionais.

Agosto

Festa da colônia japonesa é tradicional na Capital. Foto: ACrítica

Bon Odori – Festa típica japonesa onde os descendentes se reúnem para dançar. As danças tradicionais, embora sejam uma diversão, simbolizam o respeito aos antepassados. O festival é uma confraternização simbólica entre vivos e mortos. Realizado desde 1983 em Campo Grande, o Bon Odori já se tornou uma festa tradicional na capital, visto que reúne não só descendentes de japoneses, mas pessoas de todas as raças e crenças.

Dezembro

Festa de Nossa Senhora do Caacupé – Acontece no dia 8 de Dezembro – Nossa Senhora do Caacupé foi trazida da cultura religiosa paraguaia – “Virgencita de Caacupé” – e recebe homenagens durante missas e rezas seguidas de almoços, jantares à base de pratos usuais da cozinha paraguaia e bailes.

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