Apesar da importância, Medicina Nuclear ainda é pouco conhecida pela população

Em 14 de setembro é comemorado o Dia do Médico Nuclear, profissional cujos desafios passam por tornar a profissão mais conhecida e acessível.

Criada na década de 50, a Medicina Nuclear é considerada uma das mais novas especialidades médicas na área de diagnóstico e tratamento. Apesar das inúmeras vantagens que oferece, ainda é pouco conhecida e pouco indicada. Portanto, na semana em que se celebra o Dia do Médico Nuclear – 14 de setembro – especialistas da área têm conquistas a comemorar e muitos desafios pela frente. Mas, afinal, o que é e para que serve a Medicina Nuclear?

Este é uma especialidade médica voltada para o diagnóstico e tratamento de doenças, mediante o uso de fontes radioativas e traçadores, de uma forma segura e indolor. Com métodos não invasivos, emprega baixas doses de radiação capazes de identificar precocemente alterações no funcionamento do organismo, em áreas como cardiologia, oncologia, hematologia e neurologia.

De acordo com o endocrinologista e médico nuclear Alaor Barra, a principal vantagem da área é visualizar órgãos, de forma mais precisa, nos seus níveis celulares e moleculares, o que possibilita o diagnóstico precoce. “É um método funcional que vai na direção contrária aos estudos convencionais. Estes avaliam alterações morfológicas, que, geralmente, só são identificadas mais tardiamente”, explica.

Já na área de terapia, a medicina nuclear é utilizada no tratamento de doenças benignas, como o hipertireoidismo, ou ainda no tratamento do câncer de tireoide e outros tumores específicos. Além disso, funciona para aliviar dores em pacientes com metástases ósseas.

Por razões como esta, destaca Barra, a Medicina Nuclear é uma área que está se desenvolvendo muito. “Cada vez mais percebemos a procura por tratamento de ‘células-alvo’, ou seja, dirigido somente para a região do tumor, sem prejudicar outras partes normais do organismo, diferente do que ocorre, por exemplo, em tratamentos com quimioterapia”.

Ainda no ramo da oncologia, os estudos de PET (tomografia por emissão de pósitrons) são fundamentais para checar a extensão do tumor, a resposta a tratamentos e avaliar eventuais recidivas da doença. “Isso tem revolucionado a abordagem em alguns tipos de câncer, como o câncer de próstata”, ressalta o profissional, que, por atuar e dirigir o IMEB (Imagens Médicas de Brasília), tem acompanhado tais avanços de perto.

No entanto, apesar dos avanços que possibilita em diagnósticos e tratamentos, a Medicina Nuclear ainda é pouco conhecida e subutilizada. Isso se deve, em partes, à menor disponibilidade dos equipamentos necessários em centros hospitalares e ao desconhecimento dos profissionais médicos do valor do método, que terminam por optar por métodos radiológicos mais difundidos.

Somado a isso, por falta de uma maior divulgação dessa especialidade, existe ainda um certo medo nas pessoas relacionado à radiação nuclear, o que também compromete o acesso aos seus benefícios. “Tornar a medicina nuclear mais acessível trará inúmeras vantagens para a população e para a área em si, uma vez que isso também contribuirá ainda mais para o seu constante aperfeiçoamento. Esse é um dos nossos maiores desafios”, pontua o diretor do IMEB.


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