“Circulação de cérebros” preocupa o Senado


Desde que caiu a ficha de que a crise econômica seria mais do que uma simples “marolinha”, como costumava dizer o partido da estrela, os trabalhadores de verdade engrossaram os processos de imigração em outros países. Hoje, a busca por estabilidade no exterior experimenta novas modalidades. O prejuízo maior fica por conta da mão de obra qualificada, que se esvai sem previsão de retorno.

A nova elite encontrou mercado favorável no primo mais modesto da Europa. Imobiliárias já abrem tipos de negócios exclusivos para brasileiros em Portugal. O custo de vida mais baixo, o índice de violência perto de zero e a facilidade do idioma são alguns fatores que colaboram na hora de buscar um destino mais plausível.

Aqueles que tinham incubado o sonho americano viram oportunidade para debandada ainda maior. As novas mamães já se programam, por exemplo, para darem a luz no exterior. Nas cidades mais populares, como Miami e Orlando, já existem maternidades e advogados que atendem o público de idioma português e agilizam toda a papelada para dupla cidadania dos bebês. O motivo: facilidade de ingresso no mercado de trabalho na vida adulta e acesso aos serviços públicos disponíveis nos Estados Unidos e países irmãos.

Sim, as crianças já nascem com um planejamento profissional e, sim, ele é todo no exterior. Apenas a formação desse ser fica a cargo do Brasil.

Até mesmo em Israel, são criados grupos de apoio, sinagogas, ONG’s e comunidades inteiras que falam apenas português. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o número de pessoas que imigraram para Raanana, próximo a Tel Aviv, será cinco vezes maior em 2017 em relação a 2014.

A fuga de pessoas com grau de ensino superior, mestres e doutores preocupou o Senado Federal. A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) realizará, na próxima semana, audiência pública para discutir a perda do capital humano e o que se chama de “circulação de cérebros”.

O Brasil, que possui um número considerável de centros universitários de alta qualidade, está formando profissionais para prestarem serviços em outras regiões do mundo. Nossa mão de obra é muito valorizada, especialmente na medicina, indústria farmacêutica, e Tecnologia.  Países como Canadá, Espanha, China, Austrália, Japão, Reino Unido e Rússia recrutam anualmente pessoas de diversas áreas. Alguns chegam a oferecer incentivos de moradia para as famílias imigrantes.

Em contrapartida, no Brasil, aqueles que não se deleitam na estabilidade confortável, mas monótona do Serviço Público, se arriscam a empreender e serem engolidos a médio e longo prazo pelos altos impostos, burocracia, falta de incentivos e alto custo de produção.

Não é raro ver uma startup entre as melhores do mundo ter, ao menos, um sócio brasileiro.  Também vimos corriqueiramente nossos conterrâneos em destaque na imprensa internacional, sempre com uma descoberta interessante ou como participante de projetos globais.

Nesta semana, cidades estadunidenses entraram em disputa por uma sede de Amazon em seus territórios. Bastou o líder da maior varejista da internet manifestar interesse em investir bilhões em recursos e abrir mais de 50 mil vagas de empregos para expandir a área física que surgiram propostas de bilhões de dólares em incentivos fiscais.

Se fosse no Brasil, seria bem capaz de quebrarem a Amazon com cobranças injustas e sem propósito.

Ao que tudo indica, a audiência dos senadores terá um tom otimista. O convite aborda o “fornecimento de conhecimento científico para a sociedade”, como uma espécie de intercâmbio de aprendizado.

De pronto, já posso dar minha contribuição ao Senado: façamos as reformas que o país há tanto necessita.

O Brasil precisa modernizar suas relações de produção e de presença do Estado para tornar-se competitivo. A Audiência Pública sobre o tema será no dia 25 de outubro. Façamos nossas contribuições.

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