OPINIÃO | A estratégica se repete: quando 2002 serve de inspiração para 2018



Em 2001, o então governador Joaquim Roriz (PMDB) sofria de forte rejeição. Seu governo vinha desgastado e com forte oposição de todos os lados. Seus maiores opositores eram o PT, com Geraldo Magela, e o jornal Correio Braziliense, sob o comando do jornalista Ricardo Noblat.

Mesmo em seu terceiro mandato ia enfrentar pela primeira vez uma reeleição. O teste nas urnas assombrava o seu grupo político. Era uma época de mudanças de rumos no País. No cenário nacional, o favorito era Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo partido de Magela.

O momento não era favorável para Roriz. Foi então que se montou uma estratégia para reforçar sua candidatura e ganhar mais tempo de TV. A ideia foi trazer a então deputada federal Maria de Lourdes Abadia (PSDB) para o seu governo.

Para isso, foi criada uma supersecretaria para ser entregue a Abadia. A estrutura passou a se chamar Superintendência de Coordenação das Administrações Regionais (Sucar).

A deputada tucana topou. Roriz descartou o seu então vice-governador Benedito Domingos da chapa que iria disputar a eleição em 2002. Abadia virou a candidata a vice de Roriz. E foram eleitos. Quatro anos depois, ele assumiu o governo por 9 meses.

E 16 anos depois, a história se repete é bem parecida com o momento atual. A popularidade do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) está em baixa e sua equipe se mexe para melhorar a imagem do governo. Uma recuperação de imagem nesse momento é tudo que o Buriti precisa.

Para ficar mais parecido ainda, Rollemberg convidou Maria de Lourdes Abadia para integrar o primeiro escalão do governo. E novamente será criada uma pasta a medida: a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Rollemberg observou de perto a estratégia em 2001. Ele foi candidato a governador em 2002, encabeçando a terceira via contra Roriz e Magela. Lula virou presidente e Roriz foi reeleito contra Magela na eleição mais disputada da história do DF com uma diferença de apenas 16 mil votos.

Defenestrado por Roriz, Benedito foi também candidato ao Buriti e ficou em terceiro. Rollemberg foi só o quarto, mas ficou o aprendizado.

Os rumos da política nacional também estão mudando. Depois da hegemonia de 14 anos de governos Lula e Dilma-Temer, a tendência é de uma guinada a centro-direita. Uma dobradinha Rollemberg-Abadia passaria por um acordo nacional e colocaria os dois num provável palanque do presidenciável Geraldo Alckimin (PSDB).

Se Rollemberg terá o mesmo êxito que Roriz teve com estratégia semelhante só o tempo dirá. O certo é que o fato implodiu o PSDB que tem o deputado Izalci Lucas como pré-candidato ao GDF em 2018. E pode ser um candidato a menos no caminho do governador.

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