Saulo Batista: “É preciso desmentir essa versão de que o PSDB é contra o interesse do trabalhador”


O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) saiu neste domingo praticamente aclamado como o candidato a presidente em 2018 pelo PSDB. Na Convenção do Diretório Estadual de São Paulo, ao lado do senador José Serra e do prefeito João Dória, fez um discurso de campanha e ouviu apelos para que presida a sigla nacionalmente.

Numa pré-campanha até agora marcada pelo crescimento da extrema direita, a estratégia do governador paulista tem sido a de se apresentar como “o candidato do equilíbrio”. Em meio à virulência com que a pauta conservadora tem sido apresentada nas redes sociais, o temperamento antes considerado “insosso” do governador hoje é visto como sinal de ponderação, até mesmo entre eleitores de esquerda.

Dentro da estratégia de conquistar essa fatia do eleitorado mais à esquerda, estão os esforços para o fortalecimento da atuação do PSDB na construção de um discurso e uma estratégia voltada para os trabalhadores e às camadas mais populares.

Um dos principais responsáveis pela coordenação deste trabalho tem sido Saulo Batista (PSDB-DF), que concedeu entrevista ao NBN Brasil e ao Blog do Calado, onde comenta as estratégias do partido para a disputa presidencial de 2018.

Cotado para assumir uma vaga na Comissão Executiva Nacional do PSDB, integrante do grupo político do governador Geraldo Alckmin, próximo também do ministro Aloysio Nunes, Saulo Batista tem sido um interlocutor frequente de alguns dos principais aliados do governador paulista, como os deputados Antônio Ramalho (PSDB-SP), que continua a ser a maior liderança tucana no movimento sindical e com quem Saulo busca sempre a anuência antes de qualquer movimento, e Pedro Tobias, presidente do PSDB-SP, além do presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela (ITV) e ex-presidente nacional do partido José Aníbal.

Nos últimos meses houve um aumento na visibilidade e nas movimentações do Secretariado Sindical do PSDB. Essa é uma tentativa de ocupar o espaço deixado pelo PT dentro destas estruturas dos sindicatos?

De forma alguma. Em sua grande maioria, e é preciso reconhecer as honrosas exceções, a atuação do PT e seus satélites nos movimentos sociais, inclusive o sindical, se dá por meio do aparelhamento de entidades. O caso da deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) ilustra bem isso. Dinheiro do sindicato empregado de forma ilegal pra financiar campanha eleitoral e atividade partidária. Esse espaço tradicionalmente ocupado pelo PT, de uma atuação que transforma o sindicato em linha auxiliar de um partido político, não deve ser ocupado nem por nós nem por ninguém. Ele precisa deixar de existir. As entidades sindicais pertencem aos trabalhadores, não aos partidos.

O discurso do PSDB sempre foi a favor das reformas, muitas delas consideradas contrárias aos interesses dos trabalhadores. É possível esperar uma mudança neste sentido?

Em primeiro lugar é preciso desmentir essa versão de que a atuação do PSDB é contrária ao interesse do trabalhador. Ao meu ver, contrária ao interesse dos trabalhadores foi a atuação dos que quebraram os fundos de pensão, como a Funcef, a Previ, a Petros e a Postalis, para enriquecer Joesley Batista e outros parceiros de crime do PT. A conta de toda essa roubalheira, de toda essa propina que enriqueceu companheiros e financiou as campanhas dos aliados de Lula e Dilma, uma conta bilionária, hoje recai sobre os funcionários da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. As reformas que o PSDB defende, como a nova lei das estatais, que é de autoria do PSDB, vem justamente pra prevenir isso. Para evitar que o trabalhador se veja obrigado a pagar a conta da irresponsabilidade e da corrupção da companheirada.

Mas o discurso do PSDB passará de “pró-mercado” para “pró-trabalhador”?

Não vejo que seja uma contradição. São os dois lados da mesma moeda. Quando tratamos de geração de empregos, estamos falando do estabelecimento de condições para o crescimento da economia e na construção de um ambiente de investimento que favoreça a retomada das contratações. Quando o PSDB fala em nome da estabilidade e faz esse discurso muitas vezes voltado para o mercado, ele fala para os que, ao empreender, assumindo os riscos da atividade econômica, é que de fato serão capazes de gerar os empregos de que tanto precisam os mais de 13 milhões de brasileiros que estão sem trabalho. Mas é preciso maior ênfase no discurso que tenha como foco o trabalhador. É preciso que o PSDB se aproprie da visão segundo a qual, dentre todas as questões que dizem respeito a uma política econômica, a mais importante é certamente o drama dos brasileiros que estão sem trabalho, sem emprego, sem conseguir o próprio sustento e o de sua família.

Essa seria uma “guinada à esquerda” do PSDB?

Eu prefiro não adotar esse dualismo raso e simplista que tomou conta das redes sociais para discutir questões tão complexas. Prefiro dizer que, diferente da maioria dos que se dizem “de esquerda”, o PSDB tem uma história de profundo respeito pelas liberdades individuais. Mas, por outro lado, faço minhas as palavras do Geraldo (Alckmin), pra dizer que o PSDB não é a favor do ambiente onde “o grande come o pequeno”, onde inexista uma rede de proteção social para os segmentos mais vulneráveis. Do ponto de vista da proteção ao trabalhador, isso tem importância fundamental para a economia, pois, e aqui novamente repito a fala do governador de São Paulo, não há modelo de economia de mercado onde exista consumo sem salário e renda.

Podemos esperar que estes posicionamentos estejam presentes nesta anunciada reformulação do programa partidário e no próprio programa de governo do candidato tucano em 2018?

Claro que sim. Até porque estamos aqui tratando dos fundamentos da social-democracia, que dá nome ao partido. Esta cada vez mais frequente a defesa da volta às origens do PSDB, de fazer valer a célebre fase de Mário Covas segundo a qual o partido precisa estar perto do pulsar das ruas. Diante da crise pela qual o Brasil está passando, com o aumento do desemprego e corrosão da renda dos brasileiros, estar perto do pulsar das ruas é antes de tudo estar sintonizado com os anseios de quem acorda cedo pra “pegar no batente”, quem de fato ajuda o país a crescer, e de quem enfrenta as dificuldades da busca por sua inserção no mercado de trabalho.

Qual o papel que podemos esperar do Secretariado Sindical do PSDB neste processo de rediscussão do partido e de construção do projeto presidencial para 2018?

Os espaços a serem ocupados e os papéis a serem exercidos serão frutos de um debate e uma construção permanentes e coletivos, envolvendo não apenas as executivas nacional, estaduais e municipais, mas também as bancadas, os prefeitos, governadores, militantes e lideranças de todo o Brasil. A meu ver, a representação na executiva nacional deve ser exercida como expressão desse diálogo permanente. No que diz respeito à elaboração do programa partidário e das propostas a serem apresentadas para 2018, meu esforço é no sentido da construção de um consenso em torno do nome de Rogério Fernandes, presidente do PSDB-Sindical de Minas Gerais e dirigente da Força Sindical, para nos representar e acompanhar estes trabalhos. Ele é um dos nossos melhores e mais importantes quadros e, pela sua história de militância no movimento sindical e profundo conhecimento das estruturas da rede de proteção social ao trabalhador e dos mecanismos de fomento à geração de emprego e renda, poderá dar uma contribuição muito valiosa com sua participação.

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