Mais de 3 mil estudantes abandonaram curso de engenharia no DF, em 2017

Por Sara Rodrigues

O Brasil forma menos engenheiros do que realmente precisa para se desenvolver. A afirmação está no estudo “Ensino de engenharia: fortalecimento e modernização”, feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que faz parte de uma série de propostas para os candidatos à presidência da República. Muito disso se deve ao fato de existirem altas taxas de evasão dos cursos, ou seja, muitos estudantes desistem no meio do caminho.

Ano passado, no Distrito Federal, 4.418 pessoas se matricularam e iniciaram um curso de Engenharia em uma das universidades locais. Porém, no mesmo ano, cerca de 3 mil alunos trancaram o curso, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

A professora Maria de Fátima Souza, da Universidade de Brasília (UnB), tem acompanhado o ensino em engenharia há mais de 20 anos. Ela entende que é necessário melhorar os formatos, principalmente, adaptar disciplinas.

“Existe um problema grave que desmotiva os alunos e que talvez seja a razão dessas taxas altíssimas de evasão, que é o fato da disciplina de cálculo ser levada mais ensinando procedimentos para a resolução de problemas, do que necessariamente entendendo como você aplica o conceito”, explica a professora.

Maria de Fátima defende que é necessário reavaliar o modo como os professores de engenharia ensinam em sala de aula. Para ela, é importante ter profissionais de outras áreas, como pedagogos e psicólogos que auxiliem os professores a tornarem as aulas mais práticas e dinâmicas.

Essa situação não é exclusiva do Distrito Federal. É uma preocupação nacional. De acordo com a CNI, para cada 10 mil habitantes, apenas 4,8 são graduados em engenharia. Enquanto em países mais desenvolvidos como Coreia, Rússia, Finlândia e Áustria contavam com mais de 20 engenheiros para o mesmo número de pessoas.

As propostas de melhoria que constam no estudo da CNI para esse caso são de integrar os cursos de engenharia e o setor produtivo, criar laboratórios para que os estudantes tenham mais aulas práticas e capacitar os professores com novos métodos de ensino.

A diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, explica que o mundo tem mudado de forma muito acelerada, e por isso, é importante preparar bem futuros engenheiros para que eles acompanhem o ritmo da indústria. “Se a gente não tiver engenheiros e engenheiras preparados para os impactos dessa revolução digital, não conseguiremos ser competitivos e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”.

Além dos índices baixos de estudantes que concluem o curso de engenharia, os cursos também não foram tão bem avaliados. Em 2016, 1.538 cursos foram avaliados. Destes, o INEP informou que cerca de 60% atingiram apenas a nota mínima satisfatória, e 15% ficaram abaixo desse valor.

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