Violência no Campo: estudo inédito analisa principais alvos dos bandidos, na zona rural do Estado de São Paulo

Foram mapeados as cidades mais visadas e os horários de maior incidência de roubo e furto de veículos e celulares

Entre janeiro e julho deste ano, 377 veículos foram furtados e outros 290 roubados, em unidades rurais – fazendas, chácaras e sítios – no Estado de São Paulo. Os dados estão no Boletim Econômico Tracker-FECAP, que acaba de ser divulgado. A análise é feita com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública de SP. Também foram contabilizados os roubos de celulares, que totalizaram 673 ocorrências no ano de 2018, nesta região.

De acordo com o levantamento, este ano o número de furtos caiu 7% em relação ao mesmo período de 2017. As cidades mais violentas nos últimos 24 meses também foram mapeadas: Rio Claro, Piedade, São Pedro, Ibiúna e Mogi das Cruzes lideram o ranking das TOP 20 (lista completa abaixo).

As ocorrências de roubo ficaram praticamente estáveis, já que no mesmo período de 2017 foram registrados 294 veículos roubados. As cidades com mais eventos foram Conchal, Rio Claro, Limeira, Mogi Guaçu e Mogi Mirim.

Furto no Campo

O Boletim Econômico Tracker-FECAP mostra que depois de apresentar crescimento no número de ocorrências no período de julho a novembro de 2017, os furtos no campo reverteram essa tendência e nos últimos meses apresentam queda.

Os veículos mais furtados nas unidades rurais são as motocicletas, que respondem por 36% das ocorrências, seguidos pelos furtos de automóveis 21%. O furto de trator responde por 13% e o de caminhão 8%. “Analisando os últimos dois anos, notamos uma tendência crescente para o furto de tratores, contra uma tendência decrescente para o furto de caminhões”, afirma o analista de Inteligência de Mercado do Grupo Tracker, Frederico Lanzoni.

Os furtos são mais predominantes de madrugada e a noite. Esses dois períodos representam 46% das ocorrências.

Roubo no Campo

A análise dos dados da SSP-SP na modalidade roubo mostra uma queda no número de ocorrências, no intervalo de julho de 2017 a janeiro de 2018. Mas, a partir de fevereiro deste ano, os crimes crescem e se estabilizam na alta. “Os períodos de alta dos roubos coincidem com os momentos de baixa de furtos, em 2018. O que sugere que os criminosos estão migrando do crime de furto para o  de roubo, o que é muito preocupante, uma vez que o último envolve violência física e psicológica”, analisa Vieira.

Os crimes de furto nos últimos 24 meses se distribuíram em cerca de 366 cidades. A cidade de Rio Claro foi a que apresentou maior número de ocorrências: 33, o que representou 2% do total de furtos. “As dez cidades com maior número de ocorrência representam apenas 15% do total de furtos. Se analisarmos as 20 cidades, a participação é de 24% do total de furtos. Com isso, concluímos que o crime furto nas unidades rurais está espalhado em diversas regiões, o que dificulta a ação policial”, avalia o professor Erivaldo Costa Vieira, coordenador do NECON (Núcleo de Pesquisa da FECAP)

Os veículos mais roubados em fazendas, chácaras e sítios são os automóveis, seguidos pelas caminhonetes. Diferente do que acontece com furtos, onde as motocicletas lideram essa modalidade crime, no roubo ela representa apenas 10%.

Com relação ao horário dos roubos, também é a noite que os bandidos agem mais: 55% dos registros, seguido da tarde, com 18% das ocorrências.

No levantamento das 20 cidades com mais ocorrência de roubos, há uma concentração um pouco maior, mas ainda assim, os crimes estão espalhados em cerca de 240 cidades. As dez cidades com maior incidência respondem por 22% de todos os roubos em unidades rurais do Estado. O acumulado para as 20 maiores mais perigosas corresponde a 34% do total. Rio Claro aparece novamente entre as mais visadas pelos criminosos.

Análise de roubo de celulares para presumir a violência nas unidades rurais

Nos últimos 24 meses, foram registradas 2678 ocorrências na unidade rural, sendo 673 no ano de 2018. Mas por que analisar o roubo de celular? “Os crimes de natureza exclusivamente rurais são acompanhados de outras infrações, como invasão de residência, violência física, psicológica, cárcere, entre outros. No entanto, as ocorrências nesses locais não são publicadas em sua totalidade pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Por isso, na falta dos dados oficiais sobre roubos de máquinas, implementos agrícolas, adubos, ferramentas e outros, utilizamos o roubo de celular para apurar como está a violência nas unidades rurais, uma vez que, um criminoso dificilmente penetra em uma unidade rural para roubar apenas o celular, esse crime ocorre praticamente por consequência de outros”, explica o professor da FECAP.

Na análise dos últimos 24 meses, percebe-se que os crimes caem até novembro de 2017, depois a tendência se modifica para crescimento, o que é verificado de dezembro de 17 até junho de 2018.

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